No primeiro dia de trabalho, por sorte, não houve nenhuma criança acidentada. Então me mantive na minha sala, sem precisar ver sangue nem nada do tipo.
No primeiro momento que consegui, saí e procurei Rarith, encontrando-a no mesmo playground do dia anterior. Fiquei observando-a e optei por não a interceptar. Mas logo a garotinha me viu e correu na minha direção, reconhecendo-me. O abraço dela foi forte, mas pegou nas minhas coxas, já que era pequenina. Abaixei-me e olhei eu seus olhos, feliz com o sorriso que ela tinha ao me ver:
- Que coincidência... Vê-la por aqui! – fingi que foi um encontro casual.
- Eu estudo aqui! – Gargalhou, como se fosse óbvio.
- Nossa! E eu... Estou trabalhando aqui! – Ri.
- Onde?
- Na enfermaria!
- Você é enfermeira?
- Bem, na verdade eu sou boa em legos, mas acharam que eu me sairia melhor fazendo curativos e aferindo temperaturas.
- Se eu for para a enfermaria você pode montar legos comigo?
- Infelizmente não tem legos lá.
- Rarith, venha brincar com seus amigos! – A professora parou na nossa frente, olhando-me desconfiada.
Levantei-me e expliquei:
- Sou a nova funcionária da enfermaria. Meu nome é Olívia.
- Rarith não está ferida... E nem precisa de acompanhamento de enfermaria no momento. – A mulher deixou claro, puxando a menina de mim.
- Olívia é amiga do meu tio Gabe.
- Você não pode sair do playground assim, mocinha! – a professora recriminou-a – Me preocupei quando não a vi por perto.
- Me desculpe! – aquela voz fininha tão sincera e os olhos cabisbaixos e arrependidos fizeram meu coração palpitar de dó.
- Que não aconteça de novo. Agora vá brincar com seus colegas.
Rarith acenou para mim e saiu correndo, de volta para o playground.
- Não pode se aproximar das crianças desta forma. – A professora deixou claro.
- Me desculpe. Não foi minha intenção que ela saísse da sua vista. Sou ex-esposa do tio dela e amiga de Aneliese, a mãe. Então... Eu não lhe faria nada de mal.
- Não se aproxime da menina, ou tomarei providências. Não me importa que conheça a família dela. Seu papel aqui não é este.
- Me desculpe! – Pedi novamente.
A professora saiu, carrancuda. E eu nem podia recriminá-la, já que estava coberta de razão. Enfim... Conversar com Rarith seria algo impossível dentro da escola. Não adiantava, meu vínculo com Gabe realmente estaria findado em pouco tempo.
Voltei para a enfermaria e comecei a arrumar os armários por dentro, organizando tudo. Em menos de meia hora a secretária veio me chamar, que o diretor gostaria de falar comigo.
Suspirei, já sabendo do que se tratava. A professora havia ido fazer reclamação de mim. E eu nem tinha como me defender.
Enquanto me dirigia até lá, pensavam em mil formas de arranjar uma desculpa para o ocorrido. No entanto quando me vi frente a frente com o diretor da escola, nada saiu em minha defesa.
- Sente-se! – Ele apontou para a cadeira.
Sentei-me, surpresa pelo diretor ser um homem novo e bonito.

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