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A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I romance Capítulo 135

- Você nunca se magoou... Sempre deu a volta por cima... – Percebi uma lágrima rolando pela sua bochecha e apertei minhas mãos, sentindo as unhas cravarem na palma delas, a ponto de doer feito canivetes fincando na pele.

Por que meu coração doía tanto? Por que minhas pernas resistiam em sair? Por que tudo rodava naquele lugar, menos Gabe e sua lágrima solitária? Por que eu o amava tanto?

- Sempre dei a volta por cima... Mas meu coração ficou estraçalhado. Em breve receberá os documentos do divórcio. Se não assinar, entrarei com um pedido litigioso e deixarei a mídia a par de todo processo. A escolha é sua!

Virei as costas e saí, parecendo caminhar nas nuvens, como se o chão abaixo dos meus pés não existisse. Quando tomei o elevador, sob os olhares curiosos, fechei a porta, deixando que as lágrimas caíssem de uma forma como nunca antes. E percebi as gotas de sangue pingando no chão, vindas das palmas das minhas mãos, onde cravei as unhas com tanta força que me feri.

Saí da Clifford naquela manhã foi exatamente como entrei: todos os olhares para mim e cumprimentos de “Bom dia, senhora Clifford” que não respondi.

Naquela semana enviei currículos para todos os lugares que ofereciam vagas. Eu não me importava onde iria trabalhar... Só sabia que não ficaria em casa dependendo de esmolas de Gabe Clifford, que não mandava notícias há exatos sete dias desde o episódio na empresa.

Por que ele derramou aquela única lágrima? Por que não dizia o que realmente sentia?

Olhei para a palma de minhas mãos, ainda feridas. Sabia o quanto demorariam para curar, assim como todo ferimento que perpassava meu corpo, independente da gravidade. Aquelas foram por Gabe... E todo amor que eu sentia por ele. Cravei as unhas em mim mesma para não ceder ao desejo de voltar... E me entregar de corpo e alma, confessando que jamais amaria alguém como o amei... E que a porra daquela única lágrima que ele derramou tinha o poder de me destruir ainda mais, porque a dor dele era a minha, embora aquele homem não merecesse nada de mim.

Eu esperava todos os dias que alguém viesse tomar a nossa casa. Então cada dia era um dia. Mas para conseguirmos sair dali, precisávamos de dinheiro. E dinheiro não caía do céu.

No oitavo dia que voltei para casa fui chamada para uma entrevista de emprego. A vaga era para cuidar da enfermaria de uma escola privada da região central. Olhei para o computador e depois para Rita:

- Eu odeio sangue!

Ela sorriu e pegou minhas mãos, abrindo-as e me fazendo ver os ferimentos:

- Você aguenta.

A abracei:

- Obrigada por ficar conosco.

- Sinto muito não ter uma reserva. Gastei tudo que ganhei... E não foi pouco. E o pior... Com coisas supérfluas.

- Está tudo bem. Eu também poderia ter feito uma reserva e não fiz.

- Como? – ela riu – Vendendo os relógios do seu marido?

Não aguentei o riso ao lembrar:

- Ainda devo para a Clifford, já que tive que pegar um empréstimo para comprar o maldito relógio de volta.

- Será que se um dia você tiver um filho, Gabe Clifford irá se vingar de você nele? Tipo... Por causa do relógio.

- Como não terei o filho, não corro o risco.

- Então vocês usaram preservativo?

- Não. – Confessei.

- Caralho... O que deu em você?

- Ele queria muito um filho... E achei que pudesse ser a solução para o seu coração congelado.

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