POV OLÍVIA
Por que esperei o dia raiar para vir até Gabe? Olhei para a garrafa de uísque vazia no chão e depois para os olhos dele, que estavam longe.
- Dormiu com ela? – Perguntei.
Gabe piscou os olhos repetidas vezes, como se não conseguisse pronunciar uma palavra sequer, por mais que se esforçasse.
- Dormiu com ela, porra? – Gritei, fazendo-o despertar de vez.
Gabe levantou-se desnorteado, tentando encontrar suas roupas no meio das de Ingrid, que se mantinha nua sobre o sofá, fingindo estar envergonhada enquanto cobria suas partes íntimas.
Fui até Gabe e o peguei pelos ombros, encarando-o:
- Me diga se dormiu com ela, Gabe! – implorei – Seja sincero... Só isto.
- Eu... Eu... Não lembro de nada!
Aquilo bastava. Eu já tinha visto a reação do meu marido ao beber uma garrafa inteira de uísque. E sabia que ele lembrava de exatamente tudo após a embriaguez. Nunca confiei em Ingrid e meu sexto sentido sempre sussurrou no meu ouvido que ela era apaixonada pelo meu marido.
Peguei as roupas dela, uma por uma, finalizando com a porra da calcinha fio dental. Peguei com a ponta dos dedos aquilo e olhei-a:
- Quem trabalha com uma calcinha destas? – ri, com escárnio – Alguém que quer dar para o chefe, não é mesmo?
A mulher me olhou, cobrindo os seios com as mãos, tentando demonstrar arrependimento. Juntei tudo que era dela, fui até o canto da sala de Gabe e abri a janela de vidro, jogando as roupas dela do alto do prédio da Clifford.
Ingrid arregalou os olhos, incrédula:
- Olívia, você...
- Senhora Clifford! – gritei – Ainda não estou divorciada. E neste momento não sou sua subordinada e sim a esposa do seu chefe. E ciente dos meus direitos, exijo que saia agora desta sala.
Ela engoliu em seco e olhou para Gabe.
- Vista a porra destas roupas imediatamente! – Ordenei, vendo que ele ainda não tinha vestido tudo.
Gabe rapidamente começou a abotoar a camisa, confuso. Peguei a garrafa de uísque do chão e interfonei para a segunda secretária, que havia praticamente chegado junto comigo. Assim que ela abriu a porta e viu Ingrid nua e Gabe totalmente desconsertado, arregalou os olhos. Entreguei-lhe a garrafa de uísque e ordenei:
- Mande para o laboratório. Peça que analisem o líquido que sobrou e confiram se há algum tipo de droga misturada.
A vice-secretária olhou para Ingrid, incerta e depois para Gabe, como se precisasse da autorização de um dos dois.
- Faça o que a minha esposa está mandando, porra! – Gabe gritou.
Ela saiu rapidamente da sala. Ingrid na mesma hora trocou de cor... Sim, ela ficou vermelha, feito um tomate.
- Olívia... Minhas... Roupas...
- Será demitida por justa causa. Não ganhará um norian sequer depois de tantos anos trabalhados. E não arranjará emprego nem de secretária de prostitutas. Agora fora! – Apontei para a porta.
Ela olhou para Gabe:
- Senhor Clifford, minhas roupas...
Gabe não disse nada. Mal conseguia botar a camisa para dentro da calça.
Peguei-a pelos cabelos, ouvindo seus gritos de desespero. Abri a porta, levando-a nua pela recepção e depois dirigindo-a para o elevador comum, que apertei o botão e a porta abriu-se. A empurrei para dentro e fechei a porta. Ela que se fodesse! Eu pouco me importava como chegaria em casa.
Olhei para a vice-secretária e disse:
- Anuncie uma nova vaga de secretário. E será um homem.
- E... Meu emprego, senhora Clifford?

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