- Ainda assim foi um dia cheio e duvido que se não beber aguentará até o final, senhor Clifford. Tente relaxar... E resolverei tudo. Só me diga o que fazer.
- Traga Olívia de volta.
Ela me encarou e ficou um tempo em silêncio antes de perguntar:
- O senhor... Gosta dela?
Em tantos anos trabalhando juntos, Ingrid praticamente sabia tudo sobre a minha vida. No entanto nunca me fez perguntas de cunho pessoal. Aquela era a primeira vez. Embora eu passasse mais tempo com ela do que qualquer outra pessoa, nunca a considerei uma amiga e sim a minha secretária. Ela era paga (aliás, muito bem paga) para fazer tudo que eu pedia.
Mas eu estava ferrado e não tinha a quem recorrer. Rael? Sim, eu ligaria para Rael e pediria ajuda. Que tipo de ajuda? Ah, sim, que ele impedisse qualquer juiz de dar o divórcio à Olívia.
Peguei o copo de uísque enquanto olhava no celular se Olívia tinha respondido minhas mensagens. Mas não, não tinha respostas.
- Descubra onde Olívia se meteu – pedi – Foda-se as notícias que se espalharão por aí. Manteremos tudo que ela falou à imprensa, desde o leilão até a volta da fabricação da insulina NPH e a distribuição gratuita aos lesados.
- Mas senhor Clifford...
- A empresa é minha. O dinheiro é meu – deixei claro – E você não é paga para dar opinião e sim para fazer o que eu mando.
Ingrid engoliu em seco:
- Sim, senhor... Me desculpe.
Assim que ela saiu, bebi todo o líquido do copo de uma vez, sentindo o amargor descendo pela minha garganta. Sim, aquela porra me acalmava. Enquanto alguns tomavam remédios, eu usava do uísque para me deixar menos tenso e com vontade de matar todo o mundo.
GABE: Precisamos conversar... Sobre as insulinas.
Voltei a mandar mensagens, sabendo exatamente o que a faria vir até mim:
GABE: Podemos fazer mais do que dar um ano de tratamento e exportar a preço de custo.
GABE: Que tal além do Patek Phillippe botarmos no leilão também a casa do lago?
Joguei o celular na poltrona ao lado e massageei minhas têmporas, totalmente cansado e começando a ter dor de cabeça. Olhei para a minha mesa e vi a garrafa de uísque sobre ela. Só tinha sido retirado o conteúdo para um copo. Praticamente arrastei meu corpo até lá e peguei-a, bebendo no gargalo enquanto voltava para o sofá.
Olhei para o sol que ainda brilhava do lado de fora e percebi o quanto minha vida não teria significado sem Olívia. Eu não queria mais ser aquele homem que não tinha nada mais interessante para fazer a não ser trabalhar. Jamais seria capaz de pagar alguém para me fazer um boquete de novo, principalmente sabendo que mesmo que desse milhões, nunca alguém faria tão bem como ela. Eu sentia que Olívia gostava de mim. Seu corpo correspondia ao meu... Ela era totalmente sensível a cada carícia que trocávamos.

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