Me despedi de Jorel e subi para o meu quarto. Olhei-me no espelho e percebi que embora aparentes, os ferimentos não tinham sido graves. Tive sorte, no fim, pois poderia ter sido bem pior. Imagine passar anos da vida se cuidando, abrindo mão de tantas coisas em nome na saúde para do nada morrer num acidente de trânsito por conta de um motorista bêbado.
Tirei minhas roupas e fui para o banho, que tomei sem pressa. Minha vida teve uma guinada depois que casei com Gabe Clifford. No entanto aqueles dias na casa do lago foram a cereja do bolo, um teste de sanidade, o qual quase não sobrevivi.
O amor era uma droga, que nos deixava totalmente desnorteados e sem ter certeza de como agir! Como eu queria não amar Gabe Clifford!
Me cobri com a toalha e saí do banheiro para me vestir no quarto quando me deparei com malas enfileiradas no chão. Engoli em seco, confusa. Gabe teria mudado de ideia e decidido me mandar embora de vez?
A porta se abriu ele entrou. Franzi a testa, incerta do que fazia ali.
- Já tomou banho? Quer ajuda para se vestir? – deu um meio sorriso, talvez o máximo que conseguia movimentar os lábios com aquele intuito.
- Estas malas... – Não conclui a fala, sentindo o coração acelerar com a possibilidade de estar sendo mandada embora.
- Amanhã pedirei para a empregada desfazê-las. – Falou com tranquilidade, indo em direção à minha cama e deitando nela.
- Desfazê-las? – Será que ele não queria dizer ao contrário?
- Sim – passou os braços com serenidade atrás da cabeça, aconchegado nos meus travesseiros – Vou morar aqui.
- Aqui?
- Sim, aqui! No seu quarto, para ser mais específico.
Ele estava se mudando para a mansão Clifford? E... Dormiria no mesmo quarto que eu? Bati a cabeça e o médico não notou que mexeu meu cérebro?
- Venha, Chuchu... – pôs a mão ao seu lado na cama – Vou cuidá-la.
- Você bebeu?
- Nadinha! Mas posso beber se quiser... – olhou para minha região íntima, ainda coberta pela toalha. “Ainda” porque eu não tinha certeza de quanto tempo aguentaria fingindo que não queria jogá-la no chão e pular no colo dele.
- Não vou transar com você. – Não lembro a última vez que falei algo que me doeu tanto. Juro que minha boceta conversou comigo naquele momento, perguntando “Você está louca”?
Aliás, nós duas tínhamos que ter uma conversa bem séria. Precisaria explicar para ela que eu era uma só e que cérebro e corpo deveriam fazer tudo em sincronia. Porque simplesmente a dita cuja se recusava a obedecer os comandos da cabeça... Ao menos o da minha, porque a cabeça de Gabe ela obedecia piamente (neste caso a cabeça de baixo). Assim como eu era apaixonado por Gabe Clifford, minha boceta era apaixonada pelo pau dele.
- Por quê? – Sim, ele fez a pergunta.
Me aproximei da cama e retirei a toalha, deixando-a cair. Os olhos de Gabe passearam deliberadamente por cada centímetro do meu corpo levemente úmido.
- Você me quer, Gabe?

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