- Acompanhante de luxo – corrigiu – Você sabe bem a diferença entre uma e outra, já que contratou uma para magoar a minha irmã.
- Ok, reformulando – tentei – Posso lhe dar dinheiro para pagar sua estadia nos Estados Unidos e desta forma você deixa sua vida de “acompanhante de luxo” e... Quem sabe volta a estudar... Eu... – levantei os ombros, incerto – Não sei como, mas posso ajudar de alguma forma.
Rita riu:
- Não quero o seu dinheiro. Nem suas desculpas.
E o que se faz nesta situação? Mando ela se foder e continuar a levar a porra de vida que leva? Mas e se levar a irmã para o mesmo caminho?
- Eu não sei outra forma de ajudar a não ser com dinheiro... Sinto muito. E... Creio que o que a tenha levado a se tornar uma “acompanhante de luxo” tenha sido a falta dele. Portanto... Aceite minha ajuda, Rita. É o que posso fazer para amenizar a porra que fiz.
- Não quero lhe dever nenhum tipo de favor, Gabe Clifford.
- Não estou lhe fazendo um favor. Dinheiro para mim não é um problema. E não me fará falta. Você precisa dele... E eu quero dar. Não desejo que me pague... Simplesmente aceite. Me diga do quanto precisa e zere a vida... Recomece de onde desejar... Livre de dívidas e... Traçando um futuro.
- Não, não aceito... Nem o seu dinheiro, tampouco as suas desculpas.
- Então qual o sentido de pedir desculpas, porra? E se para todo mundo que eu pedir a resposta for não?
- Nem todo mundo é movido a dinheiro.
- Então o que a fez se tornar uma acompanhante de luxo se não por dinheiro? Vou ser sincero, eu estou me lixando para o que quer fazer da sua vida. Mas Olívia se preocupa com você. E eu me preocupo com Olívia. E ela deseja que nós dois fiquemos bem um com o outro.
- Gabe Clifford, eu não gosto de você e quero que isto fique bem claro. Não há chance de nos entendermos.
- Não parecia ter todo este desapreço por mim naquele jantar que marquei com seu pai onde você, sua mãe e Isabelle estiveram presentes, deixando Olívia de fora, como se ela não fizesse parte da família.
- Eu não sabia que ela não iria.
- Mas sabia que eu estaria lá e tentou fazer a lição de casa direitinho: dar em cima de mim. E com qual propósito? Queria amor? Aposto que não!
- Não consigo entender o que minha irmã viu em você! – me olhou com desdém – Você é um ser desprezível.
- Tanto quanto as pessoas que deixaram chuchu em casa para participar de um jantar em “família” com um desconhecido, onde fingiram que ela sequer existia.
Rita virou as costas e saiu, os cabelos quase pegando na minha cara de tanta raiva com que se movimentou.

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