Tentei argumentar, mas não teve jeito: eu teria que receber Jorel na minha casa. Não fui vencido só pelo cansaço, mas também porque queria sair o mais rápido possível dali para ver como Olívia estava.
Certamente Olívia quereria ficar na casa dos pais e dar fim ao casamento depois de tudo que houve. E embora eu tivesse pensado em inúmeras maneiras de convencê-la a não me deixar, não consegui achar nenhuma boa o bastante. Então decidi que na hora pensaria em algo... Nem que fosse a porra de uma nova chantagem.
Enquanto não a convencia, Jorel poderia ficar na mansão Clifford. Eu contrataria alguém para cuidá-lo.
Depois de todo tempo que fiquei com Jorel, saí e Ernest ainda não tinha deixado o quarto de Olívia. Quando ele chegou na sala, me avisou:
- Ela... Espera por você.
Espera? Aquela simples palavra fez meu coração acelerar. Chuchu queria me ver?
Fui imediatamente para o quarto onde ela estava. Assim que cheguei, deparei-me com minha esposa deitada numa cama, a qual estava com cabeceira levantada. Tinha alguns ferimentos no rosto e braços. E só de ver aquela porra, fiquei destruído e me senti culpado. Novamente o “E se...” voltava à minha vida. E se eu não tivesse levado a porra daquela mulher que paguei para fazer ciúme? E se eu não tivesse sido um idiota e feito o que fiz com a irmã dela? E se Jorel não existisse, o que bastaria para nunca aparecer em lugares os quais não era convidado?
Me aproximei de Olívia, nossos olhos se encontrando desde que abri a porta. Ela não dizia nada, o que me deixava totalmente despreparado e sem saber como agir, já que geralmente era chuchu quem tomava a iniciativa nas conversas.
Já ao seu lado na cama, observei em silêncio cada arranhão em sua pele, sabendo o quanto demorariam a cicatrizar.
- Como... Se sente? – Perguntei, para quebrar o gelo.
- Acidentada.
Mordi o lábio:
- Eu pedi que não fosse com ele.
- Igual eu não teria voltado com você.
Não vi nenhum sarcasmo nela, o que me deixou ainda mais desnorteado, pois Olívia geralmente não falava de forma tão séria.
- Tentei protegê-la. – Expliquei.
- Então por favor, não tente mais. Seu tipo de proteção é bem perigoso e doloroso.
Ok, ela não estava disposta a facilitar nada.
- Como... Se arranhou deste jeito?
- Quando saí do carro fui ver onde Jorel estava... E tentei alcançá-lo para resgatá-lo e me feri nos galhos das árvores.
- Tentou descer um barranco para salvar Jorel? – Fiquei incrédulo.

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