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A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I romance Capítulo 122

- O que houve, Jorel? O que o fez perder o controle do automóvel? – Aneliese quis saber, certamente trocando de assunto para amenizar a situação.

- Um animal cruzou a pista.

- E por que vocês ainda estavam naquela altura do trajeto? Por que demoraram tanto? Estava na porra de uma Ferrari e Rael chegou anos luz antes de você.

- Paramos... – abaixou o olhar – Para... Comer...

- Comer o quê? – tentei avançar nele, sendo contido por Aneliese, que se pôs entre nós.

- Certamente não foi a sua esposa! – ela me falou entredentes, recriminando-me – Ele é o seu irmão, Gabe! Poderia ter morrido.

- Não, ele poderia ter matado a minha esposa.

- Chega, Gabe! – ela alterou a voz.

- Aposto que pararam para comer e você bebeu! – Acusei.

- Ele não faria isto! – Aneliese disse com certeza, enquanto Jorel suspirava de forma tão forte que deixou claro que ela estava enganada.

Eu ri, com sarcasmo:

- Pelo visto você não conhece o seu “filho” tanto quanto eu.

- Jorel, me diga que você não fez isto!

- Foi só... Um copo de uísque. – Abaixou o olhar.

- Um copo de uísque? – gritei – Você não estava sozinho no carro. Como pôde ser tão irresponsável?

- Pelo visto é carma da nossa família nos acidentarmos com mulheres ao nosso lado... A diferença é que eu não matei a minha companheira de viagem. – Jorel sorriu numa tentativa desenfreada de me ferir ainda mais.

Fui para cima dele de novo, sendo que Aneliese o defendeu novamente, se pondo entre nós. Jorel ainda estava com o nariz inchado do soco que eu havia lhe dado e agora eu estava disposto a terminar o serviço, quebrando seus dentes.

- Ele não fez de propósito, Gabe... Assim como sabemos que você também não fez naquela noite.

Dei um passo para trás, atordoado. Virei de costas para eles e tentei manter a respiração normal, sabendo que quando tocava naquele assunto o ar parecia me faltar. Se eles soubessem o quanto me culpei... As tantas noites que durante anos passei em claro me perguntando “E se...”, onde botava todas as possibilidades de como poderia ter sido diferente se um único detalhe tivesse mudado.

Apesar do tanto que sofri com a forma como fui criado por meu pai, foi graças a ele que consegui me manter vivo depois do acidente com Mônica. Porque o tempo todo eu o via na minha frente, com o dedo em riste, gritando: “Você não é um fraco! Levante-se daí e pare de chorar feito uma menininha idiota!”

Cada palavra dele que doeu como uma facada no coração no passado foi o que me deu forças para seguir em frente, nem que fosse do jeito que foi... Me jogando com tudo no trabalho e me tornando um rolo compressor, que passava por cima de tudo e todos para provar ao mundo que eu não era fraco.

Eu não estava bêbado na noite que Mônica morreu. Aliás, nunca fui o tipo de homem que chegava a ter momentos de embriaguez, como o que tive na primeira noite com Olívia, certamente causado pela decepção de ter perdido para sempre o relógio que minha ex me presenteou, que aliás, eu havia recuperado e ainda estava com Olívia.

Virei na direção de Jorel e perguntei:

- E os equipamentos de segurança da Ferrari? Como conseguiu se machucar tanto?

- Quando saí do carro... Caí...

- Como assim? – Aneliese questionou – Você saiu do carro antes do socorro chegar?

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