Quando vi Rael e Aneliese entrando na sala, respirei com mais tranquilidade, a tensão se dissipando um pouco. Minha irmã veio na minha direção rapidamente e me olhou:
- Como ele está?
- Quebrou uma perna e teve alguns ferimentos. Mas não vai morrer! – expliquei – Como você soube?
- Pela imprensa... Porque você não foi capaz de me avisar. – Já me acusou, sem saber a verdade.
- Ele não está morto.
- “Ele” é meu irmão! Eu me preocupo com Jorel. Esqueceu que praticamente o criei? Ele é como um filho para mim.
- Ok, vou reformular a frase: Seu “filho” não morreu.
- Você é um idiota, Gabe! – Ela saiu furiosa, indo cumprimentar os parentes de Olívia.
Rael me olhou de soslaio e deixou Rita, vindo falar comigo:
- Eu... Sinto muito!
- Por ter levado todos os Abertton no seu carro exceto minha esposa, o que fez com que ela pegasse carona com o meu irmão filho da puta ou pelo fato de ter me traído da forma mais vil que poderia?
- Gabe, você não pode culpar todos os Abertton pelo que houve no seu passado. As irmãs de Olívia não são pessoas ruins. Nem mesmo Ernest me parece ser alguém que faz algo para prejudicar outra pessoa de forma consciente.
- No momento que você é dono de uma empresa, mesmo sem querer é responsável por tudo que acontece com ela. É como por exemplo eu vender um anticoncepcional que não tem a eficácia da bula, fazendo mulheres engravidarem enquanto tomam uma droga para que não tenham filhos. Óbvio que eu não estava lá no laboratório quando o medicamento foi criado, tampouco participei do processo de fabricação, nem distribui caixa por caixa nas farmácias. Ainda assim sou o responsável legalmente por tudo. E quando todas estas mulheres processarem, será em nome da Clifford, mas eu sou o homem por trás da empresa. Nomes fantasias não são processados, esqueceu? Então sim, fui responsável porque confiei nas pessoas erradas, desde o farmacêutico que criou até o motorista do caminhão que entregou em cada ponto de distribuição.
- Gabe, a justiça inocentou a Abertton.
- Mas eu não!
- Por que você tem que ser tão teimoso? Você gosta de Olívia e não tente me convencer do contrário. Vá ser feliz, porra! Já perdeu dez anos da sua vida.
- Quer que eu seja feliz como você? – ri, com ironia – Que agora vai assumir a prostituta!
Rael respirou fundo e me encarou:
- Às vezes me pergunto como consegui ser seu amigo por tantos anos... Não me admira que não tenha ninguém a não ser eu como amigo.
Dizendo aquilo ele virou as costas e saiu. O médico ingressou na sala da recepção e disse:

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