- Costumo beber bastante, Olie. Não se preocupe que não ficarei bêbado.
Uma garota se aproximou da mesa e sorriu, entregando um guardanapo para Jorel, saindo logo em seguida. Fiquei curiosa ao vê-lo abrir, o sorriso dançando em seus lábios, deixando-o ainda mais atraente.
- E então? – Perguntei, curiosa.
- Alguém quer me encontrar no banheiro.
Fiz careta:
- Você não vai, não é mesmo?
- Depende... Quer ir comigo? Desta forma posso recusar o convite da moça.
- Você nem sabe se quem ela é... – Aleguei – E se for uma ladra? Se ela o assaltar? Estamos no meio do nada, num lugar que não é como os que frequenta.
- Ela tem uma boceta! – ele levantou os ombros, pouco se importando com quem quer que quisesse ser comida.
Homens e suas manias de pensarem com o pau antes de tudo!
- Eu gostei de beijar você. – Jorel deixou claro.
Dizer que não gostei do beijo dele seria mentira. Mas também não foi algo que tenha me impressionado. O problema é que depois que o beijei eu senti os lábios de Gabe pela primeira vez. E sabia que nada se compararia ao beijo do meu marido... Não importava quantas bocas eu beijasse até o fim da minha vida.
- Hoje não será o dia que me beijará de novo! – Garanti, cortando o assunto no ato.
- “Hoje” não... Amanhã talvez?
- Quem sabe? – sorri, incerta se futuramente poderia rolar algo entre Jorel e eu.
Para minha surpresa antes de sair para “dar uma” no banheiro de beira de estranhada com uma garota desconhecida, Jorel tomou outro copo de uísque.
Achei ousada a investida da garota, já que mandou outra enviar o recado sem se importar se eu seria ou não namorada ou esposa de Jorel.
Peguei meu celular enquanto ele se afastou. Pensei encontrar mensagens ou ligações perdidas de Gabe. Mas não havia nenhuma. Ou seja, não importava o que acontecesse, Gabe sempre seria orgulhoso e jamais correria atrás de mim.
Suspirei e pedi outra fatia de torta, jogando minha tristeza e decepção no açúcar. Enquanto alguns bebiam para curar suas dores, eu enfiava açúcar no sangue, fodendo com minha saúde. Era minha forma de me vingar do mundo e de mim mesma.
Comi o último pedaço junto com a chegada de Gabe. Olhei no relógio e observei:

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