Enquanto Jorel freava bruscamente, segurei-me na porta do carro, percebendo o automóvel dando um giro no chão e parando exatamente na frente de uma lanchonete, na beira da estrada.
- Está com fome? – Perguntou.
Assenti, esperando que ele abrisse a porta do carro para me dirigir ao interior do lugar.
A lanchonete era pequena, mas aconchegante. O ambiente era climatizado e haviam poucas pessoas. Aproveitei que não tinha ninguém me controlando e pedi meu prato favorito: creme brulée.
Infelizmente não serviam o doce à base de açúcar. Então pedi uma fatia de torta e chá. Ainda estava imersa em meus pensamentos quando vi o copo de uísque na frente de Jorel.
Meus olhos levantaram e encontram os dele, que me analisava, sorvendo lentamente o líquido âmbar.
- Como consegue beber uísque esta hora do dia? – Questionei, lembrando sobre terem mencionado sobre o alcoolismo dele.
- A vida é curta, Olie. E você, mais do que ninguém, sabe disto. Vivo cada dia como se fosse o último.
- Do que você foge?
- Eu não fujo de nada. Sou feliz... Simples assim.
- Se é feliz, não precisa beber para provar a todo mundo.
- Achei que você fosse mais divertida. Que decepção! – Sorriu, num tom irônico.
- Sei me divertir sem precisar de álcool.
- Talvez você tenha vivido tempo o bastante com Gabe para ser contaminada pelo mau humor dele.
Sim, a vida era curta. E com aquilo eu concordava. Peguei com o garfo uma generosa parte da torta e pus na boca, não contendo o gemido. Fechei os olhos e me veio à mente Gabe e seu sorriso quando dizia que eu “transava” com a comida. Mas quando os abri, o que eu via era Jorel, com os olhos escuros cravados nos meus, um dos braços para trás, escorado no assento do banco de couro, e a mão segurando o copo de uísque.
E caralho, ele era tão lindo quanto Gabe! Que genética daquela família! Certamente o pai deles era um deus grego também.
- Achei que evitasse doces e seguisse uma dieta rigorosa. – Ele riu.
- Como você mesmo disse, a vida é curta! – dei de ombros.
- Você é bonita! – Os olhos seguiam nos meus.
Abaixei o olhar e perguntei, sem encará-lo:
- O que você sabe sobre Mônica?
Jorel respirou fundo e chamou a garçonete, pedindo outro uísque. Depois de beber até a última gota do copo que tinha na mão, disse:
- Pouco.
- Mas sabia do relógio!
- Não há quem não saiba do relógio. Sempre foi algo importante para Gabe.

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