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A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I romance Capítulo 117

Enquanto Jorel dirigia a máquina potente que chamava de carro, eu seguia em silêncio. Por mais que soubesse que Gabe merecia tudo aquilo, era dolorido, já que eu o amava. Então sempre que ele sofresse, eu sofreria junto.

Desde o início imaginei que aquela comemoração do aniversário dele não fosse dar certo e que Gabe tivesse planos por trás. Mas não pensei que fossem envolver, por exemplo, minha irmã Rita, que veio de tão longe porque eu pedi, para que pudéssemos nos encontrar pessoalmente depois de tanto tempo.

Há quanto tempo Gabe stalkeava minha família? Seria realmente só o fato de meu pai ser o dono da Concessionária Abertton na qual houve o acidente o motivo de ele querer se vingar? Para mim aquilo não era o suficiente para tanta raiva.

Pelo menos Gabe se abriu comigo e contou a verdade, o que achei que não aconteceria ao menos nos próximos cinco anos. E o que o levou a contar tudo? Sentimentos? Sim, ele havia confirmado que gostava de mim. Mas se Gabe soubesse o tamanho do que eu sentia por ele! Gostar não era suficiente.

Eu largaria tudo por ele se me dissesse que era amor, que estava tão louco, confuso e disposto a se aventurar comigo naquele novo sentimento que me surpreendia a cada vez que eu me flagrava pensando nele, com um sorriso bobo no rosto.

Talvez eu jamais ousasse falar sobre o sentimento que tinha por Gabe para outra pessoa a não ser minhas irmãs. Porque me julgariam, por inúmeros motivos. Dentre eles o fato de eu ter me apaixonado pelo homem que me obrigou a casar, que chantageou minha família e que tirou tudo do meu pai. Mas eu, mais do que ninguém, sabia que sentimentos não podiam ser escolhidos, assim como tantas outras coisas na vida. Eles simplesmente vinham, sem que os solicitássemos, como a forma que me apeguei afetivamente ao meu pai e em poucas semanas o amava como uma filha que o viu e conviveu desde que nasceu.

Muitas vezes me perguntei, embora não quisesse assumir para mim mesma, o porquê de ele não ter feito antes aquele teste de DNA, quando minha mãe engravidou. Tudo teria sido diferente na minha vida, a começar pelas cicatrizes que eu trazia não só no corpo, mas na alma. Minha infância só não foi pior porque não fui abusada sexualmente, o que imaginei que aconteceria mais cedo ou mais tarde se continuasse junto de minha mãe. Mas fui tão convicta de meus propósitos de manter minha virgindade intacta que impedi que qualquer homem me tocasse até meus dez anos de vida.

Minha mãe avisou meu pai que eu era filha dele. Ernest Abertton preferiu virar as costas e ir embora e fingir que nunca ouviu aquilo. Mas a vida me deu tantas lições que no fim eu pensei: “Ele me assumiu aos dez anos. Poderia nunca ter feito isto. E então sim seria bem pior”.

Eu sempre tive tão pouco que a vida toda soube ser grata por cada mínima coisa que conquistava. Por isto cada sorriso de Gabe era uma forma de comemoração, assim como atitudes “levemente” bondosas.

Nunca fui uma mulher enlouquecida por sexo, embora soubesse sobre aquilo desde que nasci, já que vivi no meio da prostituição. Claro que eu tinha alguns pensamentos impuros e me tocava vez ou outra, inclusive pensando em Jorel, que ocupava um dos pódios no meu coração.

Mas talvez eu nunca fosse encontrar explicação para a forma como meu corpo se comportava ao lado de Gabe Clifford, como se aquele homem fossem um fósforo e eu o pavio de uma vela. Sonhei com cada pedacinho do corpo dele desde que nos casamos. E no final descobri que ele era muito melhor do que nos meus pensamentos.

Mas Gabe não tinha lugar para mim no seu coração. Mônica não só ocupou, mas talvez ocuparia para sempre o lugar que conquistou. E se não bastasse tinha engravidado dele.

Gabe havia mencionado querer ter um filho comigo. E se o motivo fosse suprir a perda da criança que morreu no ventre de Mônica? Um filho seria a redenção de Gabe Clifford? Eu estaria disposta a abrir mão de minha vida para ter um filho do meu marido, apostando que aquilo o tornaria uma pessoa melhor e sem traumas? E se eu lhe propusesse um bebê em troca de esquecer a porra daquela vingança maldita, deixando meu pai e minha família em paz?

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