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A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I romance Capítulo 116

- Acho que não, Gabe.

- Irá se arrepender, Olívia.

- Você já disse isto! – Ela provocou.

- Falo com relação também a Jorel.

- Sempre se achou melhor que eu, não é mesmo, Gabe? – Jorel me fitou, com o sarcasmo visível em seu rosto – Olívia pode até não me conhecer o suficiente, mas conhece você. Então... Não é muito difícil fazer a escolha, não é mesmo?

- Por favor, chuchu... Não vá! – Pedi numa última tentativa.

- Tantas vezes pedi que você ficasse na nossa casa, Gabe. E nunca me ouviu.

Afastei-me, deixando que Olívia entrasse no carro do meu irmão. Foda-se! Ela que se ferrasse ao descobrir quem era Jorel de verdade. Meu irmão posava de bom moço, mas era um bêbado que não dava valor ao dinheiro, um irresponsável nato, alguém que precisei garantir um futuro sem que ele soubesse, na certeza de que jogaria tudo que tinha fora. O próprio pai de Olívia havia me alertado para o fato de Jorel ser viciado em jogos, algo que eu até então nem sabia.

Olhei para a casa, vendo os caseiros parados na escadaria que levava para a área interna. De uma hora para outra tudo ficou vazio, como sempre foi. E fazia um tempo que eu não tinha aquela sensação. Aliás, desde que Olívia entrou na minha vida, foi como se eu tivesse uma família de verdade, coisa que nunca soube o que era, mesmo tendo pai, mãe e irmãos. Senti falta até da pirralha metida e da prostituta de luxo. E da cara que Jorel, que eu tinha vontade de quebrar de novo.

Se Olívia soubesse o quanto me quebrou! Primeiro ela me provou que eu tinha um coração e depois o roubou, me deixando novamente com o peito oco.

Andei alguns metros, contemplando o lago e solidão que o lugar ficou depois que todos se foram. Aquela solidão com a qual eu estava tão acostumado, com a qual cresci e achava que bastava. Eu sabia que jamais conseguiria viver daquela forma novamente, mesmo tendo sido moldado uma vida inteira para aquilo.

Sentei-me no pequeno barranco que levava ao lago, olhando ao longe, remetendo-me aos tempos de infância, quando a vida conseguia ser ainda pior. Eu não gostava quando minha mente reavivava as lembranças que eu fazia questão de esquecer. Mas ainda assim de tempos em tempos, quando tudo saía do lugar, do conforto e segurança que criei em torno de mim mesmo, ela vinha de forma avassaladora para provar que fui moldado daquele jeito, não tendo nascido sem precisar de ninguém. Fitei as águas calmas do lago e vi só uma das cenas que decidi trancar a sete chaves no lugar mais profundo do meu ser...

Tínhamos acabado o jantar e a empregada tirava a mesa. O local estava no mais absoluto silêncio, como sempre. As únicas pessoas que frequentavam nossa casa éramos nós: papai, mamãe e meus irmãos. Nunca houve visita de parentes ou amigos dos meus pais. As empregadas eram substituídas quase com a mesma frequência com que trocávamos de roupas.

- Preciso dos meus remédios – Mamãe avisou a empregada, que logo trouxe as pílulas.

Depois de ter posto todas na boca, de uma só vez, ela saiu, trocando as pernas, quase caindo, sendo amparada pelo mordomo, que a ajudou a subir as escadas.

Jorel começou a chorar e uma das empregadas o pegou, levando-o dali. Eu e Aneliese continuamos na mesa, em silêncio. Eu não sabia quanto a ela, mas eu não tinha nada melhor para fazer do que ficar ali, olhando para o nada.

Até que senti o cheiro dele no ar... E um frio percorreu minha espinha.

- Papai chegou! – Ele disse num tom irônico, quase sufocante.

Olhei para Aneliese e percebi o pavor em seus olhos. Engoli em seco e respirei fundo. Ele sentou-se à mesa:

- Quero comer. E não esta nojeira que vocês chamam de comida! – gritou para a empregada, que logo retirou o restante dos pratos, trazendo outro para ele.

Poderíamos fazer menção de levantar, Aneliese e eu, mas não o fizemos. Sabíamos muito bem que só poderíamos fazer aquilo quando ele autorizasse.

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