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A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I romance Capítulo 114

- E Aneliese e a parte dela?

- Aneliese casou com Rowan e embora eu tenha a alertado e me posicionado contra, optou por comunhão de bens. Em poucos anos ele jogou toda a parte dela fora, em investimentos duvidosos.

- O que você acha do seu cunhado?

- Um filho da puta interesseiro. Jogou o dinheiro de Aneliese fora e depois se fez de vítima usando minha irmã para conseguir entrar na Clifford como sócio. Não faço sociedade com pessoas burras ou que não gostam de trabalhar duro. Abri mão de boa parte da minha vida para ter o patrimônio que tenho hoje.

Antes que ele dissesse que tudo que batalhou ao longo dos anos foi para destruir meu pai, perguntei:

- Aneliese nunca desconfiou de Rowan? No sentido de... Ser interesseiro e... Quem sabe trai-la...

- Minha irmã sempre reclamou dos nossos pais. Mas quando se foram, escolheu alguém exatamente igual a eles para partilhar a vida. Rowan a usa. E ela nunca estudou nem trabalhou e se acha incapaz de fazer qualquer coisa importante. Não sei se é só sobre autoestima ou se seu objetivo a vida inteira foi ser mãe. Ou quem sabe Rowan é tão bom de cama que vale a pena tudo que ela passa! – levantou os ombros – Quando comprei a parte dela na empresa exigi que metade do dinheiro ficasse investido em nome de Rarith, de forma que ela só pudesse retirar quando completasse a maioridade. Foi a única forma de garantir que minha pequena não ficasse sem nada, já que se desse todo o valor, o pai dela perderia em menos de um ano.

- Aneliese não parece ser pobre.

- E não é. Vez ou outra o filho da puta tem sorte e ganha dinheiro. mas eles poderiam ter muito mais. Para você ter noção o que Rarith tem investido é mais que o triplo do patrimônio que minha irmã e Rowan tem hoje. Ou seja, Rowan jogou praticamente toda a outra metade que lhe dei fora. Entende que eu não fui ruim para os meus irmãos? Só lhes garanti que tivessem um futuro digno, já que no passado não souberam usar suas partes da herança.

- Por que nunca lhes disse isto? Por que nunca deixou claro que se preocupava com eles, mesmo que fosse garantindo-lhes financeiramente um futuro?

- Chuchu... – alisou meu rosto – Venho de uma família onde sentimentos não são expostos... Nunca.

- Você disse a Mônica que gostava dela alguma vez?

- Sim.

- Então expôs seus sentimentos. Por que conseguiu fazer para ela e não para os seus irmãos?

- Há traumas do passado que não temos como explicar.

- Você gosta de mim, Gabe?

Gabe me olhou por um tempo antes de dizer:

- Sim.

Aquilo me deixou totalmente atordoada. Finalmente Gabe assumia que tinha um mínimo de sentimento, por menor que fosse.

- Se você gosta de mim... Ainda assim será capaz de me ferir para atingir meu pai?

Eu esperava por qualquer resposta. Mas não veio nada. Ele me olhou e não foi capaz de dizer uma palavra sequer, o que me deu certeza da resposta: sim. Gabe não era capaz de perdoar meu pai.

Eu sabia que não seria o nosso último encontro. No entanto a partir daquele momento nossas vidas mudariam. E nada mais seria igual. Então eu faria o que tanto desejei desde que o conheci.

Toquei seu rosto e Gabe novamente encostou a testa na minha. Nossos narizes se esfregaram de forma carinhosa e depois os lábios se aproximaram. E então nos beijamos, de uma forma louca, doente, violenta. Eu sentia seu ferimento dentro da minha boca, causado pelos meus dentes. Sua língua exigia a minha mais e mais, como se quisesse engoli-la. Eu jamais saberia explicar a conexão física que tínhamos. Mas ela existia e não podíamos negar aquilo.

Meu navio já estava afundado há muito tempo. E o iceberg derretido. Não éramos mais navio e iceberg a ponto de colidir. Éramos colisão, estávamos fora do nosso estado natural e jamais voltaríamos a ser quem éramos desde que colidimos. Estávamos à deriva, num mesmo mar... Eu quebrada ao meio e ele deixado de ser sólido para ser líquido.

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