POV OLÍVIA
As palavras de Jorel me deram um nó na garganta. Não consegui sequer engolir a saliva. E o pior de tudo: foram diretamente para o meu coração.
Eu não queria acreditar que era verdade. Sabia que Gabe não era uma pessoa boa, mas nunca imaginei que pudesse ir tão longe, ferrando com a vida de várias pessoas somente para se vingar de algo que meu pai fez e nenhum de nós sabia o que era.
Se tivesse feito algo somente para prejudicar a mim eu até entenderia e talvez pudesse perdoar. Mas ele tinha ido longe demais. Pôs a vida de muitas pessoas em risco.
O silêncio no ambiente era simplesmente mortal. E praticamente todos os olhares estavam na direção de Gabe, exceto o de Jorel e de Rael, que estavam em mim.
- Não é verdade! – Gabe falou de forma firme – Jorel é um mentiroso.
- Não sou um mentiroso. Você sabe que fez isto e inclusive me contou. Pouco se importa com Olívia ou qualquer coisa relativa a ela. E me deu um soco no nariz porque eu estava beijando-a não por ciúme, mas sim por possessividade. Não aceita que sua esposa possa gostar mais de mim do que de você. Desta vez você perdeu, Gabe! Eu sou o preferido de alguém.
Olhei para Gabe, esperançosa de que ele tentasse se defender e se propusesse a provar sua inocência. Mas isto não aconteceu. Meu marido seguiu com o olhar de soberba, mesmo que eu percebesse certo arrependimento, mínimo que fosse, nas pupilas azuis que brilhavam sob o efeito da claridade do sol.
Limpei a lágrima que escorreu do meu olho, a qual só percebi quando tocou minha bochecha. E então levantei e saí correndo dali, atravessando a casa e indo para rua, para um lugar que eu nem sabia onde era, só desejando ficar longe o bastante de Gabe e tudo que o lembrasse.
Me embrenhei nos pinheiros e acabei me desequilibrando e caindo no chão. Pensei em nunca mais levantar. Parecia que minhas forças estavam prestes a se esgotar.
Senti meu corpo ser envolvido por braços fortes e levantei os olhos, deparando-me com aqueles azuis inconfundíveis.
- Me solte! – pedi, sem muita resistência, pois a porra do meu corpo não obedecia muito bem a mente quando estava junto daquele homem.
- Não, não vou soltá-la. Pode fazer o que quiser, Chuchu, que não vou soltá-la... Nunca mais!
- Eu odeio você. – As palavras foram de ódio, mas minhas mãos envolviam seu pescoço de forma carinhosa.
Preferi pensar que meu corpo, que não tinha uma mente, tentava manter-se firme e não cair enquanto era carregado. Eu sentia seu cheiro inebriante e tudo em mim dizia que eu precisava ficar ali, para sempre. No entanto meu coração já errava as batidas, totalmente afetado pela maldade daquele homem que eu amava, embora tentasse resistir de todas as formas a assumir aquilo até para mim mesma.
E eu gostava de Gabe exatamente como ele era, um homem cheio de defeitos (talvez até demais para uma pessoa só), e isto incluía até mesmo sua ira e arrogância. Mas saber que usou da minha doença para prejudicar outras pessoas foi algo que mexeu com todo meu ser.
Fui levada para a sacada do deck, que ficava dentro do lado. Quando Gabe sentou-se num dos sofás de vime, tentei fugir, mas ele me segurou com força, impedindo-me.
- Me deixe ir... – Pedi.
- Para onde vai?
- Qualquer lugar que seja bem longe de você.
- Não pode fugir de mim, Chuchu... Não agora. Nem nunca.
- Estou farta, Gabe.
- Não, não está. Você é a pessoa mais forte que eu conheço.
- Até o ferro se enverga.
- Não você.
- Fique feliz, Gabe! Conseguiu me afetar, enfim!
- Eu posso explicar, Olívia.
- Acha mesmo que há explicação para sua vingança idiota mexer com tantas pessoas que não tem nada a ver com isto? – Tentei novamente fugir, sendo contida, já que ele parecia esperto o bastante para prever qualquer reação minha.
Gabe abriu minhas pernas e me fez sentar de frente para ele. Comecei a me movimentar sobre seu pau, numa tentativa de deixá-lo duro, fingir que queria sexo e em seguida fugir.
- Não quero transar, Chuchu! – Ajeitou meus fios de cabelos para trás da orelha, me encarando – Transar com você é muito bom, mas agora precisamos conversar.
- Conversar? – eu ri, com ironia – Você, quer “conversar” comigo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I