Mas... O que mesmo eu queria falar? Quem tinha errado era ela, porra! Ela tinha beijado o meu irmão! E parecia que era eu pedindo desculpas. Ou melhor, não parecia, “era” mesmo eu pedindo desculpas por ela ter beijado Jorel.
- Olívia... – Nunca na vida eu disse o nome dela tão devagar, saboreando cada letra, sentindo meu coração se partir só com a possibilidade de não falar mais aquela palavra na vida caso ela fosse embora – Por favor... Abra...
Não houve resposta do outro lado. E do jeito que Chuchu era eu não duvidava que não estivesse deitada, dormindo e sonhando com anjos, que certamente faziam sexo na sua frente... Se é que ela não transava com eles.
Minha camisa estava manchada de sangue e eu nem sabia se era de Jorel ou meu. Sentei no chão, escorado na porta e peguei o celular, ligando para ela.
Chuchu simplesmente me ignorou. Talvez eu devesse dar um pontapé na porta e entrar a força. E depois de encará-la... Dizer que... Precisava beijá-la para provar que meu beijo era melhor que o de Jorel e que ela nunca mais deveria procurar em outros o que eu poderia lhe dar.
Amo você, Chuchu! Caralho, eu amo você, Olívia! E sinceramente, não sei como agir com relação a isto. Porque isto nunca esteve nos planos. Por dez anos eu estudei a vida do seu pai e encontrei todos os seus pontos fracos. E o maior deles é você. Só que o ponto fraco do meu inimigo é também o meu. O que devo fazer? Matar Ernest de uma vez para que você sofra menos?
Continuei ligando incessantemente. Até que ela atendeu:
- Vá se foder, Gabe! Estou cansada e preciso dormir. Foi um longo dia.
- Vamos foder... Eu e você.
- Eu, você e Jorel?
- Pode ser... Desde que eu ponha uma não no seu pescoço e a outra no dele... E faça força até que os esmague – falei de forma tranquila – Fodemos bem o bastante para não precisarmos de companhia e você sabe muito bem disto.
Ela simplesmente desligou na minha cara. Fiquei olhando para tela e tentei ligar infinitas vezes, sem sucesso.
Então comecei a digitar uma mensagem:
GABE: Me atende... Fala comigo...
Ela visualizou, mas não foi capaz de responder. Pelo menos estava acordada.
GABE: Sabe que precisamos conversar. Você não foi uma boa garota.
Ela começou a digitar algo e nunca na vida uma mensagem demorou tanto para aparecer na tela do meu celular. Aliás, demorou muito para escrever simplesmente:
OLÍVIA: Vai me punir por eu não ter sido uma boa garota?
GABE: Sim... Do jeito que você gosta.
OLÍVIA: E como eu gosto?
GABE: Gosta que eu pegue seu pescoço e aperte... E me enfie em você com força.
OLÍVIA: Mas eu gosto de gentilezas fora da cama.
GABE: Sou gentil fora da cama.
OLÍVIA: Somente com as suas prostitutas.
GABE: Posso tentar ser gentil com você.
OLÍVIA: Mesmo que eu beije o seu irmão?
GABE: Não há mínima possibilidade de me convencer a aceitar que fique comigo e meu irmão.
OLÍVIA: Mas eu achei que tinha deixado claro que você estava fora.
Senti um frio na barriga, incerto sobre o que responder. Levantei, atordoado. Me preparei para chutar a porta, mas me contive. Isto acordaria Ernest e os demais e atrapalharia a mínima possibilidade que eu tinha de tocá-la. Então eu estava disposto a me humilhar somente para que a desgraçada abrisse a porta e me deixasse entrar, nem que fosse para vê-la.
GABE: Quer ser a responsável pela morte do meu irmão?

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