POV GABE
Quando eu vi minha esposa beijando meu irmão, fiquei sem ação, imóvel. E nunca na vida senti algo como o que sentia naquele momento. Era como se o mundo inteiro estivesse em cima da minha cabeça, tão pesado que me fazia afundar na terra. Meu estômago começou a queimar e foi como se tudo ao redor dos dois se tornasse uma tela escura, negra, surreal.
Numa situação normal eu teria gritado, feito qualquer coisa a respeito daquela atrocidade, da pior traição que já vi. No entanto tudo que senti foi medo... E uma dor sem precedentes dentro do peito, como se fosse sufocar e morrer ali mesmo.
Deveria ter impedido aquilo de se estender por... Caralho, quanto tempo duraria? Eu conseguiria fazer algo, sair daquela sensação de estar congelado?
Olívia estava escorada na árvore e Jorel segurava sua cintura fina, os lábios devorando os dela. E eu nem precisava me aproximar mais para ter certeza de que a língua do meu irmão estava dentro da boca da minha esposa.
Puta que pariu!
Quando os dois encerraram o beijo que durou o equivalente a talvez um ano, onze meses e 29 horas, os olhos de Olívia encontraram os meus. E um frio percorreu minha barriga, de uma forma estranha. Eu estava com raiva dela e com vontade de matá-la. Mas não foi aquele o sentimento que me fez ter todas aquelas sensações. E caralho, eu preferia não saber quais eram, porque nunca tive tanto medo na vida de descobrir algo que se acentuava cada vez mais dentro de mim, optando por prolongar a sensação de dúvida sobre o que eu sentia por aquela mulher.
- Gabe? – Olívia me encarou e deu um meio sorriso – Quer se juntar a nós?
Ela tinha mesmo dito aquilo? Não, eu certamente entendi errado. Balancei a cabeça, atordoado, enquanto Jorel dava passos para trás, até bater no tronco do outro pinheiro, me encarando, com os olhos arregalados, sabendo que eu me vingaria, nem que fosse a última coisa que faria na vida.
- Pode me foder... E seu irmão me beijar, já que você não sente vontade nenhuma de conhecer meu beijo. – Ela propôs.
Sim, ela tinha um sorriso sarcástico nos lábios, esperando por minha reação.
Como num passe de mágica, a raiva tomou conta de todo meu ser e o gelo derreteu-se instantaneamente. Eu não sabia qual dois matar primeiro, então comecei por Jorel, já que tinha certeza de que minha esposa esperaria por mim exatamente onde estava, pois testar meus limites era o que Olívia mais gostava de fazer.
Peguei Jorel pela gola da camisa e com toda minha força esmurrei a sua cara. Ele poderia ter revidado, até porque era uns 10 centímetros mais alto do que eu. Mas não o fez. Sabia que tinha sido tão filho da puta que aceitou o soco.
Vi o sangue escorrer do seu nariz, banhando a camisa branca. Quando fui dar o segundo soco, ele se desvencilhou de mim e saiu correndo. Eu deveria ir atrás e bater nele até que morresse. Mas teria que ter uma conversa bem séria com Olívia antes.
Mas não havia mais sarcasmo em seu olhar. Pelo contrário, estava tensa e estranha. E mesmo sob a pouca claridade, vi o quanto estava pálida.
- Vagabunda! – Gritei.
Ela foi escorregando o corpo pelo tronco, caindo em câmera lenta, obrigando-me a segurá-la.
- Olívia? – bati no rosto dela de leve, tentando fazer com que abrisse os olhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I