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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 26

A floresta respirava diferente naquela noite.

Não era o silêncio tranquilo que envolvia a alcateia quando todos dormiam, protegidos pelo território e pela presença do alfa. Era um silêncio mais denso, carregado de aviso, as árvores pareciam observar, os galhos rangiam com o vento como se cochichassem segredos que não deveriam ser ouvidos.

Uma loba clara cortava o mato em disparada.

O corpo forte se movia com precisão entre troncos e raízes, as patas quase não tocavam o chão enquanto ela se afastava cada vez mais do território marcado da Blackstone. O cheiro da alcateia ficava para trás, substituído por um ar mais frio, mais hostil, onde os limites não eram tão claros.

Sandra corria.

Corria como se estivesse fugindo… Ou como se estivesse indo exatamente para onde sempre quis ir.

O coração batia forte no peito lupino, não de medo, mas de excitação. Cada metro longe da alcateia era uma libertação, cada passo a aproximava daquilo que vinha planejando desde o momento em que viu Liana atravessar os portões pela segunda vez.

— Elas não vão tirar isso de nós… — rosnou, quase inaudível, mesmo em forma de loba.

Dentro dela, Ilea se manifestou.

“Você está ultrapassando um limite.”

A voz da loba não era fraca, era firme, carregada de instinto e prudência.

“Se continuar, nós duas vamos virar renegadas.”

Sandra diminuiu um pouco o ritmo, mas não parou.

“Quando isso acontecer,” Ilea continuou, a presença pesada na mente dela, “eu vou me isolar. E quando eu me isolar… você nunca mais vai se transformar.”

As palavras caíram como uma ameaça real.

Não era blefe, era a verdade mais cruel que uma loba podia impor à sua humana.

Sandra finalmente parou.

O corpo lupino ficou imóvel por alguns segundos, o peito subindo e descendo enquanto ela respirava fundo. A floresta ao redor estava diferente ali, o cheiro da alcateia já não existia mais. Aquela era a fronteira invisível, perto demais das terras dos renegados.

“Você acha que eu não sei disso?” ela respondeu mentalmente, a voz fria. “Você acha que eu não pensei nisso?”

Ilea rosnou, inquieta.

“Então por quê?”

Sandra fechou os olhos dourados da loba.

“Porque se eu não fizer nada…” respondeu, sentindo a raiva voltar como um veneno quente “nós vamos perder tudo.”

O corpo dela tremeu, e em poucos segundos a transformação começou. Ossos estalaram, a pelagem clara se retraiu, dando lugar à pele humana. Sandra caiu de joelhos na terra úmida, ofegante, os cabelos loiros grudando no rosto suado.

Ficou ali por alguns segundos, tentando acalmar o coração e o corpo.

— Eu estou fazendo isso por nós — murmurou em voz alta, como se precisasse convencer a si mesma. — Pelo que é nosso.

Ilea não respondeu.

O silêncio foi a pior resposta possível.

Sandra se levantou, ignorando o frio, e caminhou até um tronco antigo caído entre as árvores. Com cuidado, afastou folhas secas e musgo, revelando um compartimento escondido. Tirou de lá uma muda de roupas simples: calça escura, blusa, jaqueta grossa, botas.

Não era a primeira vez que usava aquele esconderijo.

Vestiu-se rápido, os movimentos mecânicos, como se cada gesto já tivesse sido ensaiado. Quando terminou, puxou a jaqueta para fechar e respirou fundo.

— Não tem mais volta — sussurrou.

E seguiu floresta adentro.

Foram horas caminhando.

O terreno ficou mais irregular, o cheiro mais agressivo. O ar parecia pesado, como se a própria mata rejeitasse quem cruzava aquele caminho. Sandra sentia isso, mas não desacelerou, pelo contrário, parecia se alimentar da sensação. Aquela era a terra dos renegados, a alcateia mais próxima ficava a quilometros, os vizinhos e inimigos da Blackstone, a alcateia de Anton, Redpaw.

Quando a casa finalmente surgiu entre as árvores, o céu já começava a clarear em tons azulados.

Era antiga, madeira escura, janelas altas, poucas luzes acesas. O tipo de lugar que não aparecia em mapas, que não recebia visitas por acaso. A mesma casa que guardava segredos, planos e um homem que sempre fora uma ameaça… e uma tentação.

Sandra parou diante da porta.

O coração acelerou.

Antes que pudesse bater, a porta se abriu.

Anton estava ali.

O sorriso lento surgiu no rosto bonito, o mesmo sorriso que nunca chegava aos olhos. Havia algo satisfeito nele, como se já soubesse que ela viria em algum momento.

— Que surpresa agradável — disse, apoiando-se no batente. — É um prazer ver você de novo, Sandra.

Ela sustentou o olhar.

— Não finja surpresa — respondeu. — Você sabia que eu viria.

Anton riu baixo.

— Eu esperava — admitiu.

Atrás dele, Connan estava parado, sério, os braços cruzados, observando Sandra como se avaliasse um risco. O olhar dele percorreu cada detalhe dela, atento, desconfiado.

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