LakeCity
A casa parecia pequena demais para o nervosismo de Justin.
Ele andava de um lado para o outro, o celular apertado na mão, os dedos tamborilando na tela apagada como se, por pura insistência, ela fosse se acender sozinha com alguma notícia. O maxilar estava travado, os ombros tensos, a paciência esgotada havia dias.
— Droga… — murmurou, passando a mão pelos cabelos pela milésima vez.
Já tinha ligado, já tinha mandado mensagens, já tinha ido até o trabalho antigo dela, a faculdade, falado com conhecidos, perguntado para porteiros, vizinhos, qualquer um que pudesse ter visto Liana.
Nada.
Absolutamente nada.
Era como se ela tivesse simplesmente… evaporado.
— Isso não é normal… — ele falou em voz alta, mais para si mesmo do que para qualquer outra pessoa. — Ela não faria isso.
Do outro lado da sala, estirada no sofá com as pernas cruzadas e o celular na mão, Amélia suspirou alto, impaciente.
O mesmo sofá onde, dias atrás, Liana tinha parado, imóvel, com os olhos cheios de choque, enquanto via a própria irmã gêmea gemendo em cima do homem com quem ela estava noiva.
Amélia não parecia nem um pouco afetada pela lembrança.
— Você ainda tá nessa, Justin? — ela perguntou, sem nem erguer os olhos da tela. — Já passou tempo demais.
Justin parou de andar e encarou a mulher.
— “Nessa”? — repetiu, incrédulo. — A minha noiva sumiu, Amélia. Sumiu. Faz dias.
Ela revirou os olhos.
— Quanto drama. — respondeu, simples. — A Liana sempre foi assim, some, não fala com ninguém, depois aparece se fazendo de vítima. Aposto que tá em algum lugar tentando chamar atenção.
Justin sentiu algo apertar no peito.
— Você não tem coração,né? — retrucou, a voz mais dura. — Ela pode estar correndo perigo!
Amélia finalmente largou o celular e sentou direito no sofá, cruzando os braços.
— Perigo? — ela riu, sem humor. — Pelo amor de Deus, Justin. A vida tá muito melhor sem a chata da minha irmã aqui enchendo o saco de todo mundo.
Ele cerrou os punhos.
— Não fala assim dela.
— Falo sim — Amélia respondeu, levantando-se. — Porque é a verdade. Ela sempre foi dramática, sempre quis tudo pra ela, sempre fez cena.
Justin soltou uma risada nervosa.
— Não acredito nisso… Já não basta o que a gente fez? E se ela sofreu um acidente naquele dia e morreu por nossa causa?
Amélia deu de ombros.
— Ai seriam detalhes, uma pena… Que dó.
— Detalhes?! — ele elevou a voz. — Você é inacreditável, Amélia!
Ela se aproximou, ficando cara a cara com ele, os olhos cheios de desprezo.
— O que eu não entendo — ela disse, com um sorriso venenoso — é por que você tá todo emotivo agora, se meses atrás tava me comendo e dizendo que queria se separar dela.
O golpe foi certeiro.
Justin sentiu o sangue subir ao rosto.
— Cala a boca! — ele gritou, perdendo o controle. — Uma coisa não tem nada a ver com a outra!
— Ah, não? — ela arqueou a sobrancelha. — Então agora você virou o noivo preocupado?
— EU NÃO SEI ONDE ELA ESTÁ! — ele explodiu. — E isso importa, caralho!
O silêncio caiu pesado entre os dois.
Foi então que o celular de Justin vibrou.
O som ecoou alto demais e ele congelou por um segundo, encarando a tela como se tivesse medo do que ia ver.
— É o detetive… — murmurou.
Amélia fez uma careta.
— Você realmente gastou dinheiro com isso?
Justin não respondeu, só atendeu rápido.
— Alô?
A voz do outro lado veio calma, profissional.
— Senhor Justin? Aqui é o detetive Elvan, nos falamos há alguns dias.
Justin colocou imediatamente no viva-voz, o peito apertado.
— Fala. Você descobriu alguma coisa?
Houve uma breve pausa.
— Sim. — respondeu o homem. — Sua noiva foi vista.
O coração de Justin quase saiu pela boca.
— Onde?! — ele perguntou rápido demais.
Amélia arregalou os olhos, finalmente interessada.
— Ela foi vista em Stormcity — o detetive continuou. — No dia seguinte ao que desapareceu e também na noite passada.

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