Elena piscou, desesperada.
— Vai sim! Ele vai sentir! Ele vai…
— NÃO VAI. — Sandra se aproximou de Elena com passos lentos, certeiros. — Eu já fiz isso uma vez...
Elena travou.
Cassandra olhou para Sandra com os olhos brilhando, querendo ouvir o resto mesmo que parte dela soubesse o quanto aquilo era errado.
— E Dante nunca soube — Sandra completou, orgulhosa, venenosa. — Nunca. Nem suspeitou. Porque ele queria culpar qualquer um menos… a mulher perfeita que ele achou que eu era.
Elena sentiu o estômago virar.
— Você… — ela sussurrou. — Você tá dizendo que… aquela noite…?
Sandra não respondeu diretamente, só deu um sorriso que respondeu tudo.
Cassandra soltou o ar devagar, como se aquilo confirmasse uma suspeita antiga.
— Então você consegue de novo — Cassandra murmurou, e havia aprovação na voz dela.
Elena virou o rosto para Cassandra, horrorizada.
— Você tá concordando com isso?!
Cassandra deu de ombros.
— Eu tô dizendo a verdade. — Ela se aproximou, a postura firme. — Agora são duas humanas no nosso caminho. As duas não deveriam nem estar aqui, estamos fazendo um favor ao alfa.
Elena apertou as mãos.
— Isso é suicídio.
Sandra soltou uma risada baixa.
— Não é suicídio. — Ela se inclinou um pouco, os olhos brilhando. — É estratégia.
Elena balançou a cabeça, desesperada.
— Dante vai matar quem encostar na mulher humana, e Mason também.
— Ele já quer matar o irmão mesmo, não to vendo nenhuma desvantagem nisso — Sandra respondeu, como se explicasse algo óbvio. — E tenho certeza que Anton vai adorar fazer esse favorzinho.
Cassandra assentiu lentamente.
— Se as humanas saírem do caminho… — ela completou, com um brilho frio nos olhos — tudo volta ao normal.
Sandra respirou fundo, como se finalmente o mundo fizesse sentido de novo.
— Exatamente.
Elena deu um passo para trás, sentindo um frio real subir pelas costas.
— Vocês duas estão insanas, eu não vou fazer parte disso.
Sandra inclinou a cabeça.
— Não, Elena. — Ela sorriu. — A gente só tá lutando pelo que é nosso..
Na floresta, do lado de fora, como se o mundo respondesse a intenção delas, um uivo distante cortou a noite.
Elena fechou os olhos por um segundo.
Sentia medo.
Medo de verdade.
Porque ela sabia… sabia com uma certeza amarga do que Sandra era capaz.
E que Cassandra apoiaria.
***
No andar de cima, no quarto de Kian, o mundo era outro.
Ali não havia vidro quebrado no chão, nem promessas de sangue sussurradas na escuridão. Havia apenas a luz fraca de um abajur, desenhos colados na parede, brinquedos espalhados e o som da respiração tranquila de uma criança dormindo.
Kian estava deitado, enroscado nos cobertores como se nada no mundo pudesse alcançá-lo ali.

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