O banheiro estava frio demais.
Liana apoiou as mãos na pia, respirando com dificuldade, os olhos fixos no próprio reflexo. O rosto estava corado, os lábios inchados, o peito subindo e descendo rápido demais. O barulho da boate parecia distante agora, abafado pelas paredes e pelo tumulto dentro dela.
Tudo estava errado.
Tudo estava confuso.
Como assim aquele cara era o irmão de Dante?
Ele era um lobo também?
E o jeito que ele disse que voltaria por ela… Ela já tinha escutado aquilo antes já tinha escutado aquela voz antes…
“O lobo ruivo…”, pensou, engolindo em seco.
— Não… Não… Não não, não! — repetia enquanto se encarava no grande espelho, o corpo inteiro tremendo.
Ela abriu a bolsa com dedos trêmulos e puxou o celular, procurando o nome de Babi na tela. Precisava da amiga, precisava sair dali, precisava… fugir de novo.
Antes que conseguisse tocar na tela, a porta do banheiro se abriu com força.
— Guarda essa merda.
A voz de Dante atravessou o ambiente como uma lâmina.
Liana se virou num sobressalto.
Ele estava ali.
Alto. Tenso. Os olhos vermelhos brilhando na luz branca do banheiro, o maxilar travado, a respiração pesada demais para alguém que só tinha entrado em um cômodo.
— Sai daqui — ela disse, tentando soar firme. — Você não pode entrar aqui, é o banheiro feminino!
Mas o corpo a traiu.
O coração acelerou ainda mais.
Algo nela… queria que ele ficasse.
— Engraçado — Dante respondeu, fechando a porta atrás de si. — Ia se importar se fosse meu irmão invadindo? Acho que não, já que tava se esfregando nele uns minutos atrás.
A raiva na voz dele era crua. Ciúme. Saudade. Fúria contida por um fio.
— Não é da sua conta! — Liana rebateu, dando um passo para trás. — Eu me esfrego em quem eu quiser! Não temos nada!
Dante sorriu.
Um sorriso perigoso.
— Gostou do beijo? — perguntou, caminhando lentamente em direção a ela, como um predador que já sabia que a presa não tinha para onde correr. — Foi melhor que o nosso?
— Fica parado aí mesmo! — ela sussurrou, o corpo recuando sozinho.
Mas Dante não se importou, sua voz estava mais grossa, o lobo e o homem se misturando, o ciúmes correndo como fogo nas veias.
— Ele é melhor do que eu? — ele continuou, cada passo reduzindo o espaço entre eles. — Acha que ele vai te foder melhor do que eu?
— Eu não sou sua! Você não tem nada a ver com quem eu beijo, nem… Nem… — Liana disse, mas a voz saiu fraca demais para convencer até a si mesma e ela nem conseguiu terminar.
Suas costas bateram contra a parede, não havia mais para onde ir, estava encurralada.
Dante parou a centímetros dela.
O cheiro dele a envolveu por completo. Forte. Quente. Familiar de um jeito que a apavorava.

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