— D-desculpa… desculpa mesmo…
A voz de Babi saiu atropelada enquanto ela fechava a porta do banheiro às pressas, o rosto em chamas, o coração quase saltando pela boca. Ela não conseguia nem formular um pensamento direito. Só queria desaparecer.
“Meu Deus, bão acredito que atrapalhei a foda da minha amiga…”
A imagem se repetia na mente dela como um looping maldito que a deixava cada vez mais vermelha e envergonhada.
Babi deu dois passos apressados para trás, ainda sem coragem de olhar para a porta, quando esbarrou em algo, ou melhor, alguém.
— Ai! Me desculpa! — disse automaticamente, erguendo o olhar. — Porra, hoje eu tô um desastre atrás do outro!
E congelou.
O homem à sua frente era alto, forte, absurdamente bonito de um jeito que parecia errado para aquele momento. Tinha o maxilar marcado, olhos escuros atentos demais, o corpo tenso como se estivesse à beira de um ataque.
Ele a encarava como se tivesse sido atingido por um choque.
Como se o mundo tivesse parado.
Mason não conseguia respirar.
O cheiro.
Doce. Quente. Delicioso.
E vinha dela.
O coração dele disparou com violência, o lobo dentro de si acordando num sobressalto brutal.
“Companheira.”, seu lobo Atlas rosnou, e os olhos do beta ficaram levemente amarelados enquanto tentava se conter. “Encontramos nossa companheira!”
O pensamento veio absoluto, impossível de negar.
— Você… — Mason murmurou, a voz rouca. — Você é minha companheira.
Babi piscou.
Uma vez.
Duas.
— O quê?
Ela deu um passo para o lado, tentando passar por ele.
— Olha, eu não sei quem você é, mas você claramente tá bem bêbado, falando essas coisas esquisitas. Acho melhor ir pra casa viu cara?
Mason reagiu por instinto.
A mão dele se fechou em torno do braço dela antes que pudesse pensar melhor.
— Espera — pediu, a voz carregada de algo que ele nunca tinha sentido antes. — Você não vai a lugar nenhum.
Tudo o que ele sempre condenou, tudo o que sempre criticou em Dante.
Agora estava ali.
Batendo no peito dele.
“Uma humana.”
O lobo rosnou dentro dele, dividido entre negação e desejo.
***
Dentro do banheiro, Liana finalmente voltou a si.
O silêncio parecia ensurdecedor agora.
Ela ajeitou o vestido com mãos trêmulas, o rosto ainda quente, o corpo inteiro sensível demais para o próprio gosto. Quando tentou se mover, percebeu o detalhe que a fez fazer uma careta de irritação estava sem calcinha agora. Olhou o tecido jogado no canto completamente rasgado, e suspirou.
— Droga… — murmurou.
Respirou fundo, tentando se recompor.
— Eu preciso ir embora — disse, sem olhar para Dante, tentando ajeitar a roupa. — Agora.
Dante estava encostado na parede, os braços cruzados, o olhar intenso demais para um espaço tão pequeno.
— Nós vamos embora — corrigiu. — Você vai voltar comigo.
Ela ergueu o olhar num sobressalto.
— Nem morta eu volto pra aquele lugar.
O alfa a encarou com certa impaciência, infelizmente a deusa da lua o abençoou com uma companheira teimosa, mas aquilo não o impediria.

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