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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 97

“Ivy Collins”

Encaro as malas ao lado da porta, já prontas para irmos embora amanhã cedo, e sinto um nó na garganta.

É como se os últimos três dias tivessem sido só um sonho, e agora a realidade nos espera pacientemente do lado de fora daquela porta.

Oliver continua deitado ao meu lado, com os olhos grudados na televisão, onde astronautas flutuam em gravidade zero. Lucas está sentado do outro lado, mas não parece muito interessado no desenho.

Suspiro, tentando afastar os pensamentos, e, assim que viro o rosto para voltar a assistir ao desenho, sinto algo macio acertar meu rosto.

Pisco, confusa, e vejo Lucas e Oliver me encarando com aquela falsa inocência ensaiada.

— Sério? — pergunto, pegando o travesseiro no colo.

— Não fomos nós — Lucas diz, mas o canto da boca dele treme, tentando segurar o riso.

— Foi o vento! — Oliver completa, já pegando outro travesseiro.

— Ah, foi o vento? — repito, levantando o travesseiro na direção deles.

Oliver grita, rindo, e corre para trás do sofá. Lucas se levanta, ainda fingindo inocência, e é o primeiro a receber a travesseirada.

— Agora você pediu — ele diz, pegando outro travesseiro.

É aí que o caos se instala.

Oliver ri tanto que mal consegue se manter de pé. Lucas me vê como alvo fácil, me acertando umas cinquenta vezes, e eu caio no sofá dramaticamente sempre que o pequeno me acerta.

Não faço ideia de quanto tempo a bagunça dura, mas terminamos a guerra de travesseiros jogados no chão, rindo tanto que a barriga dói.

— Desisto! — grito, entre risadas. — Vocês ganharam!

— Vitória! — Oliver comemora, levantando os braços.

Ficamos assim por mais alguns minutos, apenas rindo, até que Oliver finalmente boceja. Pouco depois, ele está com os olhos fechados, dormindo.

Lucas se levanta devagar, pega o pequeno no colo com cuidado e o leva para o quarto. Quando volta, estendo a mão para ele, que me puxa do sofá.

— Banho? — sugere, beijando meus lábios.

— Parece perfeito.

⋆ ˚。⋆୨୧˚

A água quente relaxa cada músculo do meu corpo, enquanto me encosto nas costas de Lucas, que está quieto demais desde que entramos na banheira.

— Você está assim porque voltaremos amanhã? — pergunto, virando a cabeça para olhá-lo.

— Também — admite, passando os dedos devagar pelo meu braço. — Mas… eu estava pensando que não sei quase nada da sua vida, Ivy.

— Como assim?

— Eu sei o básico — explica, beijando meu ombro. — Sua mãe, seu irmão, a dívida. Mas… como você chegou até aqui? Quem é você além de tudo isso que aconteceu?

Fico em silêncio por um momento, processando a pergunta. Ninguém nunca me perguntou isso antes. As pessoas sempre presumem que sabem tudo só porque conhecem os fatos principais.

— Quando minha mãe foi diagnosticada com câncer… — minha voz falha, e preciso respirar fundo para continuar. — Eu tinha dezoito anos. Tinha acabado de me formar no ensino médio. Acabado de ser aceita em Stanford. Mas... não pude ir. O câncer já estava avançado. Agressivo.

Lucas aperta meu corpo contra o dele, como se pudesse absorver parte da dor.

— Gastamos tudo tentando salvá-la — continuo. — Hipotecamos a casa. Vendemos o que podíamos. Mas não foi suficiente. Nunca era suficiente.

— E o Ryan? — Lucas pergunta, a voz tensa.

— Ele sumiu quando tudo ficou difícil — respondo, amarga. — Uns meses depois do diagnóstico. Disse que precisava trabalhar em outro estado, que ia mandar dinheiro. Mas nunca mandou. Nunca voltou. Até…

— Até ela morrer — ele completa.

— Até ela morrer — confirmo, com a voz embargada. — Ele nem esperou minha mãe ser enterrada. Só esperou que eu saísse de casa para ir ao funeral e… levou o Liam.

Sinto as lágrimas queimando, mas não as deixo cair.

— Perdi todo mundo, Lucas. Meu pai me abandonou. Meus avós morreram. minha mãe também. Ryan levou meu irmão. E fiquei sozinha… — minha voz falha, e preciso parar.

Lucas me vira devagar na banheira até me deixar de frente para ele. Depois, segura meu rosto com as duas mãos, me forçando a encará-lo.

— Sinto muito por te fazer contar tudo isso — diz, acariciando minhas bochechas. — Mas te prometo uma coisa, Ivy: você não está mais sozinha. Nunca mais.

As lágrimas finalmente caem, e ele as limpa com os polegares, me puxando para seus braços.

Fecho os olhos, afundando no peito dele, chorando baixinho enquanto a promessa dele se instala no fundo da minha alma.

E, pela primeira vez em muito tempo, acredito.

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