Blake olha para mim por um segundo, depois desvia o olhar para algum ponto atrás de mim, como se a resposta estivesse na parede e não na minha pergunta.
— O protocolo não muda por preferência pessoal — diz, por fim, com aquele tom medido e profissional que me irrita. — Miller é qualificado, e a transição já foi comunicada. Do ponto de vista operacional, não há nada a discutir.
— Eu não vim aqui para falar do seu trabalho.
— Eu sei. Mas é o que tenho para oferecer agora.
Puxo o ar com força, tentando decidir se me arrependo de ter vindo até aqui ou se o arrependimento veio antes, quando abri a boca e fui honesta sobre o que queria.
Porque ele está recuando para o único lugar onde sabe que eu não consigo alcançá-lo.
O profissional. O protocolo. A missão.
Tudo aquilo que funciona como escudo e que eu, do lado de fora, não tenho como quebrar sem parecer irracional.
Então não faz mais sentido continuar tentando.
— Vir até aqui foi um erro — digo, mais para mim mesma do que para ele. — Também foi um erro pensar que ser sincera sobre querer que você voltasse ia adiantar alguma coisa.
Ele não fala nada, mas eu também não esperava que falasse. Solto o ar pelo nariz, quase uma risada sem humor nenhum.
— Porque, pelo visto, você não é capaz de fazer absolutamente nada pensando nos outros, Blake — continuo, balançando a cabeça. — A não ser que envolva segurança, protocolo ou alguma coisa lógica que você possa controlar.
— Sophia…
— Não — corto, levantando a mão. — Tudo bem. Já aprendi.
Dou um passo para o lado, tocando a maçaneta, mas mal giro quando ele segura meu pulso antes que eu possa sequer abri-la.
O toque não é brusco, é firme, decidido, como tudo que Blake faz, e o simples contato já é suficiente para travar meus pés no lugar antes mesmo que ele me puxe.
Quando levanto o rosto, ele já está perto demais.
A mão dele sobe do meu pulso para o meu rosto com uma segurança que contradiz completamente tudo que ele acabou de tentar argumentar, e então ele me beija.
Não é um beijo gentil, nem cuidadoso. É um beijo de alguém que estava se segurando há tempo demais e decidiu, em um único segundo, parar.
Os dedos dele se prendem ao meu cabelo, puxando minha cabeça delicadamente para trás, e eu ouço o meu próprio suspiro antes mesmo de processá-lo.
Minha mão vai direto para o pescoço dele, e a outra agarra o tecido da camisa, porque preciso de alguma coisa para me segurar enquanto o mundo perde um pouco de foco.
Blake aperta minha cintura, me puxando para mais perto, como se a distância que ainda existia entre nós fosse um erro que precisava ser corrigido agora.
Sinto o calor dele, a língua dele tocando a minha, o jeito que a mão no meu cabelo não me solta… e, por um momento, me esqueço completamente do que estava fazendo aqui, do que disse, da decisão de ir embora.


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