Ela me encara em silêncio, com o queixo erguido, desafiador.
Mas vejo a hesitação nos olhos dela.
— Você entrou no quarto dela ou pagou alguém para fazer isso?
O silêncio.
Então, finalmente, Blair solta uma risada curta.
— A Rosa é muito eficiente — diz, dando de ombros. — E muito… ambiciosa.
— Você comprou uma funcionária para armar esse circo — murmuro, incrédulo.
— Eu não comprei ninguém — rebate, revirando os olhos. — Só dei um pequeno… incentivo para ela me ajudar. Por bem, ou por mal. Afinal, ela tem três filhos para sustentar.
Fecho os olhos, respirando fundo.
— Você é desprezível.
— Eu protegi minha família! — ela grita, apontando o dedo para mim. — Você acha que eu ia ficar parada enquanto aquela garota destruía tudo o que construímos?
— Não construímos porra nenhuma, Blair. Só mentiras e você sabe disso.
— E mesmo assim funcionou por anos! — ela rebate. — Até você ameaçar tudo por uma babá!
Blair ri, tocando o indicador no meu peito.
— Fiz o necessário para me livrar de uma ameaça — continua, seca. — E se você estiver pensando em trazê-la de volta, vou à polícia. Vou prestar queixa contra ela.
— Você não faria isso — digo, me afastando do toque dela.
— Me teste, Lucas! Tenho todos os funcionários como testemunhas do roubo. Vou processá-la e destruir qualquer chance que ela tenha de arrumar outro emprego. Vou fazer da vida dessa garota um inferno.
Ela me encara, com os olhos faiscando de raiva.
— Então você escolhe: ou tenta consertar o que fiz e te juro que destruo a vida dela… ou você deixa tudo como está. Pelo bem da imagem da nossa família.
A observo por um momento, percorrendo o olhar pelo rosto dela como se eu estivesse vendo algo… pequeno. Patético.
— Esse era seu plano desde o início? — murmuro, balançando a cabeça, quase divertido. — Você arma tudo isso, fode uma pessoa inocente, traumatiza meu filho… pra tentar me colocar contra a parede?
Solto uma risada baixa. Sem humor algum.
— Você realmente acha que pode jogar comigo, Blair?
— Foi você quem me obrigou a jogar esse jogo, Lucas. Com minhas próprias cartas.
— Eu não te obriguei a jogar nada — respondo, cruzando os braços. — Porque você nunca conseguiria vencer esse jogo.
— Do que você está falando? — pergunta, confusa.
— Estou falando do divórcio, Blair.
Blair paralisa, boquiaberta. Pela primeira vez desde que a conheço, vejo o pânico cruzar seu rosto.
— Você… você não pode fazer isso — gagueja. — Vamos conversar sobre isso. Prometo que…
— Não há nada para conversar — corto, firme. — Os papéis já estão em andamento. Acabou, Blair. Isso já foi longe demais.
— Se você fizer isso, vou destruir você — ameaça, quase gritando. — Vou contar para todo mundo sobre você e aquela garota. Vou deixar claro que você mantém a babá como amante.
— Se você tentar mais alguma coisa contra a Ivy, vou tornar público o nosso divórcio. Hoje mesmo.
— E eu quero que o divórcio seja… discreto — acrescenta. — Só tornaremos público quando tudo estiver resolvido.
— Enquanto você se comportar, será — respondo, exausto. — A custódia de Oliver fica comigo.
— Você acha que vou deixar você levar meu filho? — pergunta, soltando uma risada seca. — O que acha que vão pensar quando souberem disso?
— Não me importa — respondo, dando de ombros. — Mas isso é inegociável. Não vou deixar meu filho com alguém que nunca fez questão dele.
Ela abre a boca para rebater, mas as palavras morrem na garganta. Porque sabe que é verdade.
Que nunca quis realmente ser mãe.
— Oliver fica comigo — repito, mais firme. — Você pode visitá-lo quando quiser tirar suas fotos e fingir ser a mãe perfeita no I*******m. Mas ele fica comigo.
Blair me encara em silêncio, com os olhos marejados de lágrimas que não vão cair. Então se vira e vai até a porta.
— Você vai se arrepender disso — ela murmura, abrindo a porta. — Espero que ela realmente valha a pena.
— Vale — digo, sem hesitar. — Mais do que você jamais valeu.
Blair aperta os lábios, sai e b**e a porta com força.
Solto um suspiro pesado, passando a mão pelo rosto.
Acabou.
Finalmente acabou.
Agora preciso encontrar a minha mulher.

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