“Lucas Sinclair”
Minha primeira reunião do dia já se arrasta há quase trinta minutos quando meu celular vibra sobre a mesa.
Ignoro.
Vibra de novo.
E mais uma vez.
Pego o aparelho discretamente, olhando a tela por baixo da mesa.
“Amélia Mallory.”
Franzo as sobrancelhas, intrigado. A governanta nunca me liga do número pessoal. É sempre do telefone da casa.
— Com licença — digo, me levantando. — Preciso atender.
Saio da sala sob olhares confusos e atendo assim que fecho a porta.
— Alô?
— Sr. Sinclair… — a voz da Sra. Mallory soa baixa, quase um sussurro. — Desculpe incomodá-lo, mas…
— O que aconteceu? — corto, sentindo a tensão subir pela espinha. — É o Oliver?
— Não, senhor. Quer dizer… ele está bem, fisicamente. Mas a Sra. Sinclair… — ela hesita, como se escolhesse cada palavra. — Os brincos dela desapareceram esta manhã. Ela revirou a casa inteira e os encontrou no quarto da Srta. Collins.
Fecho os olhos, apertando a ponte do nariz.
Quando Blair vai parar de me causar problemas?
— E a Srta. Collins? Onde ela está?
— A Sra. Sinclair acabou de colocá-la para fora, senhor. A pobre menina saiu chorando, e o pequeno Oliver está… inconsolável.
Minha mandíbula se fecha com força.
— Estou indo — digo, desligando antes que ela possa responder.
Volto para a sala de reuniões, pego meu paletó e minha pasta.
— A reunião está cancelada — anuncio, sem olhar para ninguém. — Remarquem.
— Mas, Sr. Sinclair…
— Cancelada — repito, já me afastando.
Owen me segue, tentando me alcançar.
— Lucas, o que…
— Não agora, Owen — corto, acelerando o passo.
— O que aconteceu?
Aperto o botão do elevador e me viro para ele.
— A Blair fez merda — digo, sem me importar com o tom. — Acusou Ivy de roubo e a expulsou de casa.
Owen arregala os olhos.
— Ela fez o quê?
— Te explico depois. Preciso ir.
Entro no elevador quase correndo. Desço até a garagem, entro no carro e acelero pelas ruas de Manhattan como se estivesse contra o tempo.
Aperto o volante.
Conto até dez.
Até vinte.
Até cinquenta.
Não adianta.
A fúria continua queimando.
Quando chego à mansão, todos os funcionários que encontro pelo caminho parecem assustados.
Saio do carro e já ouço Oliver chorando.
— EU QUERO A IVY!
— CALE A BOCA! — a voz estridente de Blair ecoa. — Aquela ladra não volta mais!
Depois, ergue o queixo.
— Depois do seu surto no meu quarto, eu saí para… espairecer. De manhã, quando fui procurá-los, tinham sumido. Ela pegou, Lucas.
— Como? — Arqueio a sobrancelha. — Como a Ivy entrou no seu quarto, pegou os brincos e saiu sem que ninguém visse?
— Ela é esperta! Com certeza quis se vingar por causa do uniforme!
— Blair, é impossível que a Ivy tenha entrado no seu quarto.
— Você está cego! — Ela grita. — Continua se recusando a ver porque…
— Porque ela passou a noite comigo — completo, sem hesitar.
Ela congela.
— Você está assumindo que está tendo um caso com ela? — pergunta, incrédula. — Nem vai negar?
— Por que eu negaria? — Ergo a sobrancelha. — Esse acordo já era ridículo desde o começo, com limites que você nunca respeitou. Ou acha que eu não sei do seu caso com o motorista?
O rosto dela perde a cor.
Ela realmente achava que eu nunca tinha percebido?
— Não sei do que você está falando.
— Jasper — digo, simplesmente. — Desde que ele começou a trabalhar aqui. Você acha que eu sou idiota?
Os lábios dela se apertam, mas ela não responde.
— E eu nunca me importei — continuo. — Porque esse casamento sempre foi uma mentira. Mas agora você quer bancar a esposa traída? Quer me julgar por estar com a Ivy?
— Isso é diferente — ela rebate, balançando a cabeça. — Eu nunca exibi o Jasper na frente de todo mundo! Nunca dei motivo para fofocas! Você está destruindo a imagem da nossa família por causa de uma garotinha qualquer!
— Cuidado com o que você diz — aviso, em voz baixa.
Blair solta uma risada sem humor.
— Ou o quê, Lucas? Vai me ameaçar? Vai me expulsar também?
Dou um passo à frente, parando a centímetros dela.
— Não. Porque eu estou pouco me fodendo pra você — digo, frio. — Só quero saber como você fez isso. Porque sei que foi você que colocou os brincos lá. Só preciso saber como.

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