A mansão dos Sinclair é exatamente o tipo de lugar que eu imaginava: elegante e intimidadora. Tudo é perfeitamente simétrico, perfeitamente planejado.
Perfeitamente… sem vida.
O carro estaciona diante da escadaria de mármore, e Blair é a primeira a descer, ajeitando a bolsa no ombro como se estivesse chegando a um evento de gala.
Lucas desce logo atrás, segurando a mão de Oliver. Eu sou a última, alisando a saia do uniforme e me lembrando do meu papel hoje: a babá.
Nada mais.
Subo os degraus atrás deles, mantendo a distância que me foi imposta. Assim que entramos, Diana vem ao nosso encontro.
— Filho, Blair! — ela exclama, com um sorriso impecável. — Que bom que chegaram.
Ela abraça Lucas primeiro, depois Blair, e se abaixa para beijar Oliver no rosto.
Quando seus olhos param em mim, ela me analisa de cima a baixo. O olhar desce lentamente pelo meu uniforme, demorando nos detalhes, avaliando.
Por sorte, ela não comenta nada. Apenas ergue levemente uma sobrancelha e volta a atenção para o filho.
— Seu pai está na sala com alguns convidados — diz, ajeitando o colar de pérolas. — Harrison Caldwell acabou de chegar. Vá cumprimentá-lo.
Lucas assente, mas antes de ir, me encara por um segundo. Seus olhos ainda carregam aquela fúria contida, escura, perigosa.
Até quando ele vai conseguir segurar isso?
Ele se vira e segue Diana. Blair o acompanha sem sequer olhar para trás, deixando Oliver e eu para trás no meio do hall.
Respiro fundo e observo o ambiente. Pessoas conversam em pequenos grupos, taças de champanhe nas mãos, risadas controladas, roupas caras.
Todos parecem pertencer a esse mundo.
Menos eu.
— Vem, astronauta — murmuro, apertando a mão de Oliver. — Vamos achar um lugar para você brincar.
Caminhamos pelo corredor até chegar a uma sala ampla, decorada com pinturas caras expostas nas paredes.
Sento em um sofá no canto, e Oliver logo se j**a no tapete, tira os dinossauros da mochila e começa a montar batalhas épicas.
Observo ao redor. Pessoas riem, brindam, falam sobre negócios, viagens, números absurdos.
Ninguém olha para mim.
E, sinceramente, prefiro assim.
Por alguns minutos, fico apenas assistindo ao T-Rex derrotar um Velociraptor, quando ouço passos se aproximando.
— Ivy!
Me viro e vejo Sophia vindo na minha direção, deslumbrante em um vestido vermelho que parece ter sido feito para causar impacto.
— Oi, tia Sophia! — Oliver grita, largando os dinossauros e correndo até ela.
Sophia se abaixa e o envolve em um abraço apertado.
— Oi, campeão! — diz, beijando a cabeça dele. — Você está lindo. Esse terninho ficou perfeito.
Oliver se enche de orgulho e volta correndo para o tapete.
Sophia se senta ao meu lado no sofá. Mas, quando me observa com mais atenção, o sorriso dela diminui.
— Por que você está de uniforme? — sussurra, franzindo as sobrancelhas.
— Estou a trabalho — respondo, baixo.
— Ivy… — ela insiste. — O Lucas não te deu o vestido?
— Deu.
— Então, por que…
Desvio o olhar rapidamente, sentindo o coração acelerado.
— Ivy! — Oliver chama, levantando um dinossauro. — Tô com sede. Quero água.
— Claro, astronauta. Vou buscar.
Agradeço mentalmente pela desculpa, peço licença a Eric e me levanto.
Alguns garçons passam com bandejas de taças e drinks, mas nenhum com água.
Ótimo.
Sigo um deles até a cozinha e, quando finalmente consigo um copo, volto para o corredor. E quase esbarro em alguém.
Lucas.
Ele me puxa para o lado, para fora dos olhos das pessoas, e me encara com uma intensidade que me faz perder o fôlego.
— O que aconteceu? — pergunta, baixo. — Por que você está de uniforme?
Fecho os olhos por um segundo, sentindo as lágrimas ameaçando cair novamente.
— Porque a Blair disse que eu precisava me colocar no meu lugar — murmuro, encarando-o. — E esse é o meu lugar, não é? A babá. Nada mais.
A mandíbula dele se fecha de um jeito perigoso.
— Ela não tinha o direito de… — ele começa, mas uma voz feminina nos interrompe.
— O que vocês dois estão fazendo aqui, escondidos?
Viro a cabeça e encontro Diana parada atrás de nós, com a sobrancelha arqueada e um sorriso calculado nos lábios.
Meu coração dispara.
E, pelo jeito que ela nos observa… talvez isso não termine nada bem.

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