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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 80

“Ivy Collins”

Faz uma semana desde que acordei no apartamento de Lucas, confusa e assustada, sem lembrar de metade do que aconteceu.

Os primeiros dias foram os piores.

As dores de cabeça, a náusea, os fragmentos de memória que surgiam do nada e me faziam congelar no meio de qualquer coisa que eu estivesse fazendo.

Mas, aos poucos, voltei à rotina. Porque ficar parada só fazia as lembranças ficarem mais altas.

Me manter ocupada evitava a pergunta que eu me recusava a pensar: o que teria acontecido se Lucas não tivesse chegado a tempo?

Balanço a cabeça, afastando os pensamentos, e volto minha atenção para Oliver.

— E… pronto, astronauta — digo, ajeitando a gravata dele pela terceira vez. — Agora você está perfeito.

Oliver observa o próprio reflexo no espelho e franze o nariz.

— Por que eu preciso usar isso? — pergunta, puxando a gravata com uma careta. — Tá apertado.

— Porque é o aniversário do seu avô — respondo, sorrindo. — E você vai estar lindo. Todas as velhinhas vão querer beliscar suas bochechas.

Ele revira os olhos, mas um sorrisinho escapa.

— Tá bom — resmunga, dando de ombros. — Mas você também vai, né?

— Vou sim — digo, arrumando o cabelo dele pela última vez. — Agora fica aqui brincando enquanto me arrumo, ok?

— Tá!

Saio do quarto dele e sigo direto para o meu. Assim que fecho a porta, meu olhar vai imediatamente para a cama, onde o vestido está estendido com cuidado.

Lucas escolheu isso para mim.

Um sorriso bobo me escapa antes que eu consiga evitar, e vou para o banheiro.

Tomo um banho rápido, tentando não pensar demais em como essa noite vai ser estranha. Jantar com a família dele, fingindo ser só a babá enquanto… bem, sou muito mais do que isso.

Pelo menos, eu espero que seja.

Quando saio do chuveiro, seco o corpo e o cabelo, deixando os fios caírem soltos pelos ombros. Depois, passo uma maquiagem leve, só para devolver um pouco de cor ao rosto.

Quando finalmente pego o vestido e o visto, sinto meu coração acelerar.

O tecido desliza pelo meu corpo como seda, marcando minha cintura antes de cair reto até os tornozelos. O decote nas costas é, sem dúvida, o charme da peça.

Calço os saltos que comprei ontem com a Tiffany e, quando me viro para o espelho… mal reconheço a mulher que me encara.

Estou… bonita.

De verdade.

Sorrio para o meu reflexo, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Pela primeira vez em muito tempo, me sinto especial.

— Você consegue — sussurro, pegando o celular.

Saio do quarto e, quando vou procurar Oliver, ouço a voz dele vindo do andar de baixo. Respiro fundo e desço as escadas, segurando no corrimão para não tropeçar nos saltos.

Quando chego à metade da escada, Oliver me olha e arregala os olhos.

— UAU! — ele exclama, animado. — Ivy, você tá linda! Muito mais bonita que a Blair!

Sinto o rosto esquentar, mas sorrio.

— Obrigada, astronauta.

Quando entro no meu quarto, fecho a porta e me encosto nela. O choro vem imediatamente. Silencioso. Quente. Amargo.

Tiro o vestido com as mãos trêmulas e, entre meus soluços, jogo a peça sobre a cama. Depois, abro o armário e pego o uniforme.

A saia cinza. A blusa branca. O sapato baixo.

Visto tudo no automático.

Quando volto a olhar para o espelho, a mulher bonita que estava ali minutos atrás… sumiu.

Respiro fundo, enxugo as lágrimas com as costas da mão e prendo o cabelo em um coque baixo.

Quando desço as escadas, Lucas já está na sala, ajeitando o relógio no pulso. Ele levanta os olhos ao ouvir meus passos… e congela.

O olhar dele percorre meu uniforme devagar. E então, a mandíbula se aperta imediatamente. Os olhos escurecem de um jeito que nunca vi antes.

— Pronto, aí está ela — Blair diz, pegando a bolsa. — Vamos. Já estamos atrasados.

Mas Lucas não se mexe, só continua me encarando. Eu sei que ele quer perguntar o que aconteceu. Sei que está a um segundo de explodir.

Então, antes que ele diga qualquer coisa e transforme tudo em uma cena na frente de Oliver, balanço a cabeça de leve.

Um pedido mudo: está tudo bem. Não agora.

Ele respira fundo, pressiona as têmporas e, felizmente, não diz nada. Só segura a mão de Oliver e vai até a porta.

Blair olha para mim com um sorriso satisfeito, quase vitorioso, e os segue.

Respiro fundo e vou atrás.

A noite… está só começando.

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