Minha mãe entra na minha sala como se fosse dona do lugar, com um sorriso que eu até poderia achar inocente… se não a conhecesse.
Afinal, minha mãe nunca faz visitas casuais. Nunca.
Owen se levanta rapidamente, pega a pasta da mesa e a cumprimenta com um aceno educado.
— Vou deixar vocês conversarem — diz, me lançando um olhar que claramente significa “boa sorte”, antes de sair.
Minha mãe caminha até a mesa e se senta na cadeira que Owen estava, cruzando as pernas com elegância calculada.
— A que devo a honra da visita, mãe? — pergunto, me recostando na cadeira e cruzando os braços.
— Vim pessoalmente porque sei que você ignora minhas ligações quando está ocupado — responde, sem rodeios. — E o aniversário do seu pai é importante. Você sabe disso.
Ah, claro. O jantar de aniversário do meu pai. Como eu poderia esquecer?
Na verdade, não esqueci. Só estava torcendo para que ela esquecesse de cobrar minha presença.
— Não sei se vou conseguir ir — digo, voltando o olhar para a tela do computador. — Mas prometo mandar uma lembrancinha.
— Lucas, não estou brincando — ela retruca, firme. — Você estará lá. Com Blair e Oliver.
— Oliver tem cinco anos — murmuro, encarando-a novamente. — Ele não precisa estar em um jantar cheio de velhos empresários entediantes.
— Ele é um Sinclair — ela rebate, como se isso explicasse tudo. — E precisa aprender desde cedo o que isso significa. Além disso, a presença dele suaviza a imagem da família. As pessoas adoram crianças.
Aperto o maxilar, respirando fundo para não responder o que realmente penso.
— E, antes que você resolva bancar o chefe do ano como no Natal, a babá vai a trabalho, exatamente como deve ser — continua. — Alguém precisa cuidar do Oliver enquanto estivermos ocupados.
— Ocupados com o quê, exatamente?
— Harrison Caldwell estará presente — ela diz, ajeitando a bolsa no colo. — Seu pai ouviu dizer que ele está interessado em investir uma quantia considerável na empresa.
Então é isso.
Não respondo. Apenas assinto, já cansado antes mesmo de chegar.
— Estarei lá — digo por fim, endireitando a postura. — Sei que vocês me obrigariam de qualquer maneira.
Minha mãe concorda com a cabeça, satisfeita, e sai sem sequer se despedir.
Fecho os olhos e passo as mãos pelo rosto, exausto.
Sábado. Jantar. Aparências. A mesma merda entediante de sempre.
Mas, pelo menos… Ivy estará lá.
Pego o celular e, mesmo sabendo que vou ter que aguentar suas provocações, mando uma mensagem para Sophia pedindo ajuda.
No fim da tarde, ela entra na minha sala carregando três sacolas de lojas que eu nem sabia que existiam.
— Sei que você pediu um — diz, colocando tudo sobre a mesa —, mas trouxe mais opções. Porque não faço ideia do que você considera “o vestido certo”.
Ela abre a primeira sacola e tira um vestido azul-marinho longo, com um decote discreto.
Quando ela o estende para eu ver melhor, franzo as sobrancelhas.
É bonito. Mas…
— Próximo.
Sophia revira os olhos e pega o segundo: um vestido preto, curto, com detalhes em renda.
Observo por alguns segundos. Também é bonito. Mas ainda não é…
— Próximo.
— Lucas, você é um insuportável exigente — ela reclama, abrindo a terceira sacola.
Então tira um vestido verde-esmeralda longo, com um decote profundo nas costas. Elegante o suficiente para um jantar formal… e perigoso o bastante para bagunçar qualquer cabeça.
Especialmente a minha.
— Abre — peço, me sentando na beirada da cama.
Ivy morde o lábio, curiosa, e se senta ao meu lado. Quando tira o vestido da sacola, seus olhos se arregalam.
— Lucas… — murmura, passando os dedos pelo tecido. — Isso é… lindo.
— Quero que você use no sábado — digo, observando sua reação. — É o jantar de aniversário do meu pai. Você vai estar lá com o Oliver.
Ela me encara por um segundo, ainda segurando o vestido.
— Isso deve ter custado uma fortuna… — diz, hesitante. — Eu não posso…
— Ivy — interrompo, segurando seu rosto com cuidado. — Eu quero e vou te dar o melhor. Sempre.
Ela fica em silêncio por um instante, com os olhos brilhando, até sorrir.
— Obrigada — sussurra.
— Não precisa agradecer.
Ela coloca o vestido de lado com cuidado e passa os braços pelo meu pescoço.
— Você demorou hoje — diz, encostando a testa na minha. — O Oliver sentiu sua falta.
— Só o Oliver?
Ela sorri, meio sem jeito.
— Eu também senti.
— Ótimo — respondo, puxando-a mais para perto. — Porque eu contei cada minuto para voltar.
Beijo seus lábios de novo, e quando ela suspira contra a minha boca, todo o peso do dia simplesmente some.
Porque aqui, com ela… nada mais importa.

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