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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 47

Lucas não responde de imediato.

Mantém os olhos na estrada, mas aperta o volante, como se estivesse calculando cada palavra antes mesmo de deixá-la existir.

— Fazer o quê? — pergunta, por fim.

— Inventar uma desculpa para eu não sair com o Eric.

Ele solta uma risada curta, sem humor.

— Não inventei nada. Estamos indo embora, não estamos?

— Mas não precisava ser tão rápido — rebato, virando o rosto para encará-lo. — Você só disse isso para…

— Para quê, Ivy? — ele insiste quando paro de falar. — Termina a frase.

Aperto os punhos no colo.

— Para me impedir de ir.

— E funcionou — ele responde, voltando a atenção para a estrada.

— Você não manda em mim, Lucas.

— Eu sei — concorda, calmo demais. — Mas enquanto você trabalha para mim, enquanto está sob minha responsabilidade, tenho o direito de tomar algumas decisões.

— Decisões? — repito, incrédula. — Você está falando sério?

— Completamente. Alguém precisa agir como adulto aqui.

Balanço a cabeça, soltando uma risada sem qualquer humor.

— Você fala como se eu fosse uma criança.

— Não. Não estou tratando porque sei que não é — responde, me olhando rapidamente. — Mas também não está agindo como adulta.

— Sério? Você acabou mesmo de dizer isso?

— Disse — ele confirma, num tom controlado demais. — Porque você continua testando meus limites, mesmo sabendo quais são as consequências.

— Testando seus limites? — repito, e minha voz sai mais baixa do que eu gostaria. — Engraçado… porque, até onde eu sei, foi você quem cruzou os meus primeiro.

O maxilar dele se contrai na mesma hora, mas, mesmo assim, continuo.

— Você não pode simplesmente aparecer no meu quarto no meio da noite, me beijar, quase… — paro, respirando fundo. — E depois agir como se pudesse mandar em mim.

Lucas abre a boca para responder, mas um resmungo baixo no banco de trás nos interrompe.

Olho por cima do ombro e vejo Oliver se mexer, ajeitando a cabeça contra a janela. Ele murmura algo incompreensível antes de voltar a respirar pesado.

Quando me viro para frente, Lucas me lança um olhar rápido, mas é o bastante para eu perceber algo perigoso ali.

— Chega desse assunto — diz, baixo e firme. — O Oliver está no carro.

— Ele está dormindo.

— Não importa — ele corta, voltando os olhos para a estrada. — Essa conversa já foi longe demais. Não vamos terminá-la agora.

O tom é definitivo. Não é um pedido.

Respiro fundo, tentando puxar de volta a razão, a mesma que sempre me abandona quando Lucas está por perto.

Ele está certo, Oliver está aqui com a gente. Dormindo, mas está.

Mesmo assim…

Cruzo os braços e me viro para a janela, tentando ignorar o calor que sobe pelo pescoço, o jeito como meu coração acelera só por ouvir esse tom mandão.

— Você sempre decide quando começa e quando termina — resmungo, irritada.

Lucas não responde. Apenas aperta o volante com mais força e acelera, o que só me irrita ainda mais.

Respiro fundo e sigo seus passos, me perguntando por que Lucas parece tão indiferente ao risco de Blair nos flagrar.

— Casamento aberto — resmungo, endireitando a alça da mochila no ombro. — Só pode ser isso.

Vou direto para o meu quarto, agradecendo mentalmente por não cruzar com ele pela casa. Abro a porta e entro rápido, como se estivesse fugindo.

Porque, no fundo, estou.

Jogo a bolsa na cama e me encosto na porta, fechando os olhos por um instante.

“Estarei te esperando, Ivy.”

A voz dele ecoa na minha cabeça, confiante, como se não houvesse dúvida alguma sobre o que eu faria.

Como se ele me conhecesse melhor do que eu mesma.

E a parte mais irritante?

Ele pode estar certo.

Porque aquele meu lado inconsequente, o mesmo que ignora todos os motivos que eu deveria ter para manter distância, já está bem acordado.

— Não vou — murmuro, decidida, me afastando da porta. — Ele não vai decidir por mim. Então, não vou descer.

Repito mentalmente, como um mantra:

“Não vou provocar o Lucas.”

“Não vou cair nesse jogo, ou vou provar que ele está certo.”

Mas, quanto mais repito, mais claro fica o problema.

Ficar aqui também é uma escolha.

E eu sempre fui péssima em fazer escolhas seguras quando se trata dele.

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