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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 46

O silêncio se instala quase imediatamente.

Sophia alterna o olhar entre mim e Lucas, curiosa demais para disfarçar. Helen ergue uma sobrancelha, no claro “isso ficou interessante”.

Até Eric, que parecia animado dois segundos atrás, congela no lugar.

Franzo as sobrancelhas, sem entender direito o que acabei de ouvir.

— Como é? — escapa da minha boca antes que eu consiga me conter.

Lucas continua de pé, tranquilo demais para a bomba que acabou de soltar, como se aquela decisão fosse óbvia.

Natural. Algo que todos já deveriam saber.

— Porque você precisa arrumar suas coisas — ele explica, enfim. — Vamos voltar para Nova York hoje à tarde.

— Hoje? — Helen repete, surpresa. — Mas achei que vocês ficariam até amanhã.

— Mudança de planos — Lucas responde, simples.

Estreito os olhos, tentando entender se essa mudança tem algo a ver com Eric ou se ele já havia decidido isso antes.

— Estamos de recesso, Lucas — Sophia comenta, revirando os olhos. — Que mal tem adiar a volta e ficar mais alguns dias? A Ivy está curtindo aqui.

— Estou vendo — Lucas responde, num tom sarcástico. — Mas não podemos esquecer que ela é a babá do Oliver, e amanhã ele volta à rotina normal.

— Você e essa rotina obsessiva — Sophia resmunga, cruzando os braços.

Lucas a ignora por completo, pega o copo de chocolate quente que Oliver largou e devolve ao filho.

— Termina isso, campeão. Já vamos embora.

— Mas eu quero ficar mais, papai! — Oliver protesta, fazendo aquele biquinho que quase sempre funciona.

— Hoje não, filho.

Oliver cruza os braços, claramente contrariado, mas não insiste.

Porque quando Lucas usa esse tom, nem mesmo o pequeno astronauta teimoso tenta negociar.

Eric limpa a garganta, quebrando o silêncio constrangedor.

— Bom… então fica pra próxima — diz, olhando para mim com um sorriso meio sem graça. — Quando você tiver tempo, Ivy.

— Claro — respondo. — A gente pode marcar alguma coisa na minha próxima folga.

A provocação funciona. Dá para ver pela mandíbula travada e pelos ombros tensos.

Lucas me encara sem nem disfarçar, e há um aviso claro naquele verde intenso: cuidado com o que está fazendo.

Faço exatamente o oposto.

Não desvio o olhar. Levanto o queixo de leve, desafiando.

Posso estar brincando com fogo? Posso. Mas não vou aceitar calada que ele mude os planos só porque estou me divertindo com outra pessoa.

— Ótimo — Eric responde, completamente alheio à nossa guerra silenciosa. — Me manda mensagem quando tiver um tempo livre.

— Com certeza.

— Bom… a gente vai esquiar mais um pouco antes de voltar — Sophia avisa, levantando-se e puxando Helen pela mão. — Eric, você vem?

Eric me observa por um instante, claramente dividido entre ficar ou me acompanhar.

— Tudo bem, você pode ir — digo, forçando um sorriso. — Posso ir com… o senhor Sinclair.

— Ok, então — ele responde, se aproximando para me abraçar. — Adorei conhecer você. Me avisa quando voltar e a gente marca um café ou algo assim.

Assinto e retribuo o abraço. Quando nos soltamos, Eric acena para Lucas antes de se afastar com as meninas.

Não vou dar a ele o prazer de saber o quanto me afeta.

Termino tudo em vinte minutos e desço com a mochila nos ombros.

Lucas já está no hall, conversando em voz baixa com Diana. Oliver está ao lado dele, segurando a mão do pai.

Quando me vê, o menino acena, animado.

— IVY! Vamos embora agora?

— Vamos — respondo, sorrindo para ele.

— Foi um prazer tê-la aqui, Srta. Collins — Diana diz, educada demais para ser sincera.

— O prazer foi meu, Sra. Sinclair — respondo, no mesmo tom.

Lucas a abraça rapidamente, Oliver faz o mesmo, e seguimos para o carro. Quando ele abre a porta do passageiro para mim, franze a sobrancelha.

— Sua esposa não vai com a gente? — pergunto, confusa.

— Blair foi embora com o motorista, logo depois que vocês saíram — ele responde, prático.

Assinto e entro no carro enquanto ele prende Oliver na cadeirinha. Poucos minutos depois, deixamos a mansão para trás.

A viagem de volta para Manhattan começa bem diferente da ida.

Oliver alterna entre cantarolar e contar árvores pela janela, mas logo adormece no banco de trás. O silêncio então se instala entre nós, pesado demais.

Porque agora não existe a desculpa da criança acordada.

Agora somos só eu e Lucas.

— Você não precisava fazer aquilo, Lucas.

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