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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 9

Eu só podia ter feito alguma merda. Fiquei quebrando a cabeça tentando lembrar o que eu disse e que poderia ter chateado ele.

Algo eu devo ter feito pra uma criança de dez anos sumir assim, do nada.

No começo achei que fosse pegadinha, coisa de moleque. Talvez estivesse escondido em algum cômodo dessa casa enorme.

Inês já tinha ido embora, então precisei procurar por ele sozinha. Alguns cômodos da casa ainda eram desconhecidos para mim, mesmo depois do empenho do Thales em me mostrar tudo. E foi justamente por causa desse esforço que eu estava pagando minha dívida: preparando o tão esperado bolo de brigadeiro Coloquei no forno, chamei por ele, nada.

No meu primeiro dia como babá, consegui a façanha de perder a criança, queimar o bolo (porque deixei esquecido no forno enquanto berrava pelo nome do Thales) e ainda ligar pro meu chefe meia hora depois, mesmo ele tendo deixado bem claro que só queria ser incomodado se fosse sério – bom, e era sério – , justo num evento importante da empresa onde, além de ser filho dos donos, ele também é o CEO.

Perfeito, acho que tinha sido um bom primeiro dia.

Senti a falta de ar e o coração pulsando nos meus ouvidos. Levei a mão até a barriga, tentando controlar a respiração.

Ele não deve ter ido longe.

Perguntei pro porteiro do condomínio, porque, obviamente, se uma criança tentasse sair dali teria que passar por ele. Felizmente, ninguém viu o Thales sair ou sequer chegar perto da portaria.

Ele estava em algum lugar por perto. Eu só não o conhecia o suficiente pra saber onde.

***

— O que aconteceu? — doutor Vinícius perguntou, irritado, os passos firmes no mármore do hall. A voz estava ainda mais grave, as veias do pescoço saltadas. Ele não olhava nos meus olhos.

— Eu fui até a cozinha fazer um bolo e...

— Um bolo? — me interrompeu, lançando um olhar fulminante. As mãos cerradas em punhos ao lado do corpo, a testa úmida de suor, como se tivesse corrido em algum trecho antes de chegar. Apoiei uma mão na borda do sofá enquanto, com a outra, ajeitava o maldito óculos que insistia em escorregar nos piores momentos.

— Desculpe, doutor, eu não sei nem o que dizer. Deixei ele sozinho por alguns minutos, quando voltei ele tinha...

— Sumido. — completou minha frase com o olhar frio e distante. Passou a mão pelos cabelos, desalinhando o penteado perfeito pela primeira vez desde que o conheci.

Nesse momento, o celular dele tocou. Vinícius olhou a tela e atendeu sem cerimônia.

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