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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 10

Estávamos andando pelo condomínio, um lugar enorme, cheio de gramados, árvores, flores e estradinhas que se cruzavam como se fosse uma pequena cidade. Postes iluminavam o caminho, projetando sombras nas folhagens. A brisa trazia o perfume de jasmim e dama-da-noite, misturado ao som distante de uma fonte e de alguns carros passando do outro lado. Thales poderia estar em qualquer lugar.

Seguíamos em silêncio. Desde que ele mandou eu calar a boca, não tive a menor vontade de desobedecer. Primeiro porque eu realmente costumava ser obediente, consequência da educação rígida que meu pai me deu. Segundo porque eu já não tinha vontade de dizer nada mesmo.

Me sentia envergonhada. Pela primeira vez na vida, de fato, completamente incompetente. Fora da minha zona de conforto. Uma inútil.

A cada passo, Vinícius parecia relaxar um pouco mais, como se estivesse baixando a guarda. Os ombros rígidos cederam, e a respiração, antes curta e acelerada, foi ficando mais natural.

— Não é a primeira vez que ele faz isso — a voz dele quebrou o silêncio. Estava mais calmo, mas eu não sabia o que responder, então só concordei em silêncio. — A mãe dele morreu faz pouco tempo... ele não morava comigo.

Ele olhou pra mim, os olhos surpreendentemente gentis, o que me desarmou um pouco.

— Desculpe. Não devia ter mandado você calar a boca. Fui grosseiro.

— Tá tudo bem. Eu também me mandaria calar a boca no seu lugar. Estraguei sua festa e ainda perdi o seu filho — respondi com um sorriso sem graça. — Onde ele estava da última vez?

— Na casa da avó. Pediu um Uber e foi. Eu só descobri no dia seguinte.

Não consegui evitar abrir a boca, surpresa.

— E o condomínio deixou um menino de dez anos pegar um Uber sozinho?

Vinícius soltou uma risada anasalada, irônica.

— Valéria... — olhei confusa pra ele. — A avó do Thales.

— Sua mãe?

— Não, não. Minha mãe mal fala com o Thales — a naturalidade com que disse isso me causou estranheza, como se fosse óbvio que ela jamais seria próxima do neto, ou de qualquer pessoa. — Valéria ligou na portaria e disse que podiam liberar o menino, que já tinha falado comigo.

— E por que ela fez isso?

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