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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 36

Dessa vez, eu não disfarcei meu desespero… olhei pra Bela, buscando ajuda. Eu sei que o melhor seria desconversar e mentir de vez, mas, se esse cara descobrisse de outra forma — e muito provavelmente descobriria, porque algum veículo de comunicação não iria deixar passar o CEO que casou com a babá do filho —, ele iria me matar. Eu não tinha dúvidas disso. E iria esconder meu corpo em algum lugar escuro dessa hamburgueria decadente.

— Pai, quero que o senhor ouça com calma o que tenho pra te contar. Eu comecei trabalhando para o Vinícius como babá do Thales…

— Babá?! Que história é essa, filha? Desde quando você trabalha de babá? E quem diabos é Thales?

— Filho do Vinícius…

— O senhor é divorciado??? — Ernesto me perguntou, como se fosse um crime ser divorciado. De que geração tinha vindo esse neandertal? Me preparei pra responder com uma alternativa ainda pior.

— Nunca fui casado, senhor.

A reação de Ernesto foi exatamente como previ. Péssima. Ele esfregava as mãos engorduradas no rosto e andava de lá pra cá…

— A mãe do Thales faleceu, papai… — Isabela intercedeu, e nunca fiquei tão feliz em ouvir aquela voz desafinada e nervosa.

— Rapaz, acho melhor se esforçar de verdade agora pra me convencer de que merece mesmo entrar na vida da minha filha… isso daqui não tá me cheirando bem.

Que ironia: essa espelunca também não, mas só pensei. Eu provavelmente seria um homem morto se tivesse falado isso.

Ia ter que encarar aquela situação de frente. Ia ter que buscar, no âmago do meu ser, qualidades sobre Isabela e, de olhos abertos… olhando pra ela!

Isabela estava me encarando. Os olhos castanhos, fixos nos meus, vulneráveis, esperançosos. Os óculos tortos refletindo a luz vermelha daquele lugar bizarro.

Senti algo esquisito, uma sensação diferente na barriga. Talvez fosse aquele podrão…

Mas acabei me perdendo naquele olhar que, de uma forma que não sabia explicar, me acalmava, e as palavras começaram a sair.

— Entendo que o senhor queira cuidar da sua filha… O mundo é cruel. Injusto. Mas quero que saiba que ela não precisa de proteção, porque ela enfrenta coisas piores que eu e o senhor juntos e, mesmo assim, não foge. Não se esconde — Ernesto mudou de expressão, parecia contrariado em ter que aceitar essa verdade. — Ela é autêntica.

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