Estava sentado à mesa, concentrado na missão de imprimir logo aquele contrato, enquanto Márcio estava de pé ao lado da impressora, observando as folhas saírem uma atrás da outra. Meu amigo pegava cada uma delas, lendo com expressão de decepção.
Ele balançava a cabeça, incrédulo.
— Nossa, o romance tá morto mesmo. — Olhou pra mim com desprezo. — Como pode? Cara, assim você vai acabar com a diversão!
— Diversão? — Cerrei os dentes. — Diversão pra quem?
Márcio abriu um sorriso largo.
— Pra mim!
Lancei um olhar matador na direção dele, mas claro que não adiantou nada. Márcio nunca ligava pra nada.
— Pensa na adrenalina da sedução! No medo do novo, do desconhecido!
— Cala a boca.
— E o sexo? — Ele continuou, ignorando completamente minha ordem. — Você nunca ouviu falar que o sexo com uma feia é inesquecível?
— Aposto que é.
— Irmão! Elas transam como se fosse a primeira e a última vez. É uma experiência que te deixa transformado!
Não aguentei mais. Peguei as folhas da mão dele com um movimento brusco e as empilhei na mesa.
Foi quando percebi que as folhas eram rosa chiclete.
— Márcio, que porra é essa? — Ergui uma das folhas, incrédulo. — Você não é capaz de fazer nada direito? Por que o papel é rosa?
Márcio deu uma risadinha, se divertindo com a situação.
— É a cor do amor. — Ele deu de ombros, sem o menor remorso. — Já que você tá tratando esse noivado como um acordo de negócios, pelo menos capricha na apresentação.
Fiquei olhando pro contrato impresso nas folhas cor de rosa, sem acreditar no que estava vendo.
— Você é um imbecil.
— Vou atrás de folhas normais. — Márcio já estava se virando pra porta quando olhei pro relógio de pulso.

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