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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 12

Minha cabeça parecia que ia explodir, mal tinha dormido e a madrugada tinha sido um inferno. Virei de um lado pro outro na cama, lembrando de como tinha perdido o controle. Como tinha sido cruel com meu filho; como ele se afastava de mim porque eu era um predador pronto pra atacá-lo.

O terror nos olhos dele me fez lembrar de mim mesmo, do medo que sentia quando meu pai estava prestes a me bater.. espancar, pra ser mais preciso.

Sem motivo algum.

Pelo menos era assim que parecia pra mim na época. Nunca compreendi os castigos que levava, o que tirava qualquer sentido de punição, já que eu nem sabia pelo quê estava apanhando.

Quando ainda era menino, prometi que jamais seria como meu pai. Mas a vida foi me moldando, aos poucos, até que ontem percebi com clareza, através do olhar apavorado do Thales, que era tarde demais.

Eu não me orgulho dessas explosões de humor.

Quando as coisas saem do meu controle — e ultimamente elas sempre saem —, quando me sinto pressionado ou ameaçado, algo dentro de mim toma conta e eu viro justamente quem jurei que não seria: meu pai.

Thales já tinha passado por muita coisa. Perdeu a mãe, perdeu a estabilidade de morar com a avó e, de repente, foi obrigado a viver comigo, um homem com quem mal tinha contato e que não sabia como se conectar a ele.

Eu tinha sido assustador; tinha gritado e sabia que ele estava começando a sentir medo de mim. Eu sentia muito mas nunca me ensinaram a ser diferente. Era como se eu tivesse uma corda que me amarrasse e me impedisse de chegar mais próximo.

— Caramba, sua cara tá péssima — Márcio entrou no meu escritório sem bater, como sempre, trazendo dois cafés. — E essas olheiras? A feia mais bela te fez passar a noite em claro?

— Cala a boca! Passei a noite em claro sim, mas foi porque eu fiz merda — respondi, aceitando o café que ele me ofereceu, mesmo a contragosto. Eu precisava de cafeína.

— Vixe, então quer dizer que a monstrenga sumiu e você tá sem babá de novo?

Fechei os olhos e respirei fundo, tentando me controlar. Márcio tinha o dom de sempre me tirar do sério.

— Para de chamar ela assim.

— Nossa, tá defendendo a donzela em perigo? Já? — ele se jogou na cadeira de frente pra minha, com aquele sorriso cretino. — O que rolou entre vocês?

— Não aconteceu nada, Márcio, para com essa merda.

— Então por que tá defendendo ela? Me fala logo o que aconteceu.

Suspirei, tentando encontrar palavras pra explicar tudo o que tinha acontecido na noite anterior.

— Bom, você sabe que saí da festa pra procurar o Thales, que tinha sumido.

Márcio acenava com a cabeça, ansioso pelo resto.

— A Isabela soube exatamente onde ele estava.

Notei que ele não mudou a expressão, como se isso não tivesse importância nenhuma.

— Não percebe? Ela conseguiu se conectar com o meu filho a ponto de entender onde ele estaria. Eles conversaram... falaram sobre flores e então... — parei ao notar o jeito que ele me olhava, como se eu fosse um maluco.

— Cara, a feia fica falando com o seu filho sobre flores? Que tipo de homem você quer que o seu filho seja?

Senti o sangue ferver. Não só pelo preconceito escancarado na frase dele, mas pelo meu próprio preconceito. Foi com esse mesmo pensamento que, ontem, eu tinha sido um escroto. E isso doía mais do que tudo.

— E que tipo de homem ele deve ser, hein? Como eu? Não, melhor ainda, como você?

Márcio levantou as duas mãos num sinal de rendição, rindo debochado.

— Calma aí, herói, não precisa ficar bravo comigo. Já entendi que não posso falar mal da sua bela protegida, tão bela e delicada como uma flor.

Levantei da cadeira num impulso, pronto pra soltar alguma besteira em defesa de uma mulher que eu mal conhecia e que já tinha sumido da minha vida, quando a porta se abriu. Roberta entrou apavorada.

— Doutor Vinícius, a senhora Valéria está aqui e exigiu falar com o senhor.

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