Hannah Brooks.
Claro. Coisa de gente esnobe.
- Agradeço pela carona, eu...
- Me dê seu celular. - a voz dele corta a minha, firme, autoritária, como uma ordem que ele claramente espera que seja obedecida sem questionamentos.
Viro o rosto na direção dele devagar, encarando-o como se uma segunda cabeça tivesse simplesmente surgido em seus ombros.
- Como é?
- Seu celular, garota. - ele repete, impaciente. - O aparelho que você usa para fazer ligações e acessar redes sociais.
A mão dele já está estendida na minha direção, a expressão carregada de uma zombaria quase irritante, como se estivesse se divertindo às minhas custas.
- Eu não vou te entregar meu celular, eu preciso dele para-
Nem termino a frase.
Ele simplesmente pega o aparelho da minha mão, como se tivesse todo o direito do mundo de fazer aquilo. Antes que eu consiga reagir, ele segura meu dedo e o pressiona contra o sensor, desbloqueando a tela com uma facilidade absurda.
Fico ali, olhando, completamente atônita.
Porque aquilo... aquilo só pode ser algum tipo de brincadeira de péssimo gosto. Não é possível que ele tenha tido a audácia de invadir o meu espaço dessa forma e agir como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- Ei! - tento puxar o celular de volta, mas ele desvia com uma naturalidade irritante, como se já esperasse por isso.
Os dedos dele deslizam pela tela enquanto abre minha lista de contatos, completamente à vontade, como se estivesse mexendo no próprio aparelho. Em poucos segundos, adiciona um número novo, salva, e só então estende o celular de volta para mim.
- Meu número pessoal está salvo. - diz, retomando aquele tom autoritário que parece fazer parte da personalidade dele. - Entre em contato diretamente comigo caso precise de algo.
- Eu não vou-
- Você vai. - ele interrompe, sem me dar espaço para continuar. - E mais rápido do que imagina. Agora desça e vá encontrar seu namorado, noivo, empregado... seja lá como você o chama.
Ele faz uma pausa breve, como se estivesse escolhendo as próximas palavras com cuidado - o que, vindo dele, já é um péssimo sinal.
- E, por favor, faça-o desistir da carreira de artista. - completa, com uma naturalidade quase absurda. - Ele é péssimo em tudo que faz.
Pisco, atônita, tentando processar com que direito ele acha que pode opinar sobre a minha vida... ou sobre o Ryan... daquele jeito.
Ele me entrega o celular, e dessa vez eu não hesito. Arranco o aparelho da mão dele e o guardo no bolso da calça com um movimento rápido, sentindo a raiva borbulhar dentro de mim, quente, crescente, perigosa.
Para evitar fazer algo que eu realmente possa me arrepender - como enforcá-lo com o cinto de segurança - apenas puxo a maçaneta, abro a porta e saio do carro. Bato com força atrás de mim, sem sequer olhar para trás, e sigo em direção à entrada do prédio.
Cada passo é mais pesado que o anterior.
Ainda tentando entender como alguém consegue ser, ao mesmo tempo, tão idiota, babaca, esnobe e arrogante.
- Maldito idiota... - murmuro, subindo os primeiros degraus com pressa, como se a distância física fosse suficiente para diminuir a irritação.
E, como se não bastasse lidar com ele, ainda tem Ryan.
Solto um suspiro irritado ao lembrar do espetáculo ridículo que ele resolveu montar no meu trabalho. Sério... de todos os lugares possíveis no mundo, ele precisava escolher justamente o meu emprego para fazer aquela palhaçada de declaração?

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