Narradora.
Enquanto o caos se instalava nos andares superiores da mansão Sterling, o silêncio no galpão no fundos da imensa propriedade era quebrado apenas pelo pingar ritmado de uma torneira mal fechada e pelo som dos passos lentos e pesados de Axel Stone.
Com as mãos afundadas nos bolsos da calça de alfaiataria e a postura impecável de quem tem a situação sob controle absoluto, o detetive particular observava o casal através das grades de ferro. No chão frio de concreto, Celeste e Arthur pareciam dois espectros da opulência que um dia ostentaram - desgastados, sujos e visivelmente abalados pela privação e pelo pânico.
Axel deu leve sorriso com aquela imagem. " O que algumas horas sendo tratado pior que um animal, não faz ao ser humano. " era divertido de uma forma distorcida, mas ele não estava ali para diversão de fato.
Ainda que revirar a vida alheia fosse um tipo de prazer doentio que ele tinha, uma diversão sombria que ele transformou em carreria, naquele momento não era hora de se divertir.
Axel puxou uma cadeira de metal rústica que estava encostada a um canto, arrastando-a devagar. O ruído agudo do ferro raspando contra o cimento ecoou pelo espaço, fazendo Celeste se encolher no canto da baía. Ele se sentou sem pressa, cruzando uma perna sobre o joelho e inclinando a cabeça para encarar a mulher com um olhar cirúrgico.
- O Cael tem uma tendência quase poética para a dramaticidade, preciso admitir - Axel começou, a voz calma, limpa e impregnada de um sarcasmo cortante. - Acomodações rústicas, iluminação precária... Mas, para o azar de vocês, eu sou um homem pragmático. Não vim aqui para assistir a um show de humilhação. Eu vim em busca de fatos.
- N-nós não temos nada para falar com você - a voz de Celeste saiu falhada, rouca pela garganta seca, embora a tentativa vã de manter o orgulho ainda tremeluzisse em seu olhar. - Quem diabos é você?
Axel soltou um riso curto, um som seco e sem humor, enquanto tirava do bolso interno do paletó um bloco de anotações em capa de couro e uma caneta elegante.
- Eu sou o cara que vai decidir se vocês sairão daqui direto para uma cela do presídio estadual ou se passarão o resto dos dias em um caixão por obstrução e ocultação de crimes graves - ele respondeu, sem alterar o tom suave da voz, mas deixando que a ameaça velada pairasse densa no ar. - Meu nome é Axel Stone. E a minha firma é especializada em escavar o que gente podre como vocês tenta enterrar.
Celeste estreita os olhos, ainda tentando manter aquela pose de quem acha que pode negociar o proprio futuro. De alguém que anda acredita que tem algum poder de negociação.
Ela estava totalmente errada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá do Magnata de Gelo