Eu me escorei na parede, e tentei puxar o ar na tentativa de fazer o oxigênio voltar a circular nos meus pulmões.
Valentina: Você não vai falar nada pai?
— Esse filho não pode ser do Marlon? Ela jogou na minha cara que havia...você sabe.
Valentina: Eles dois não tiveram relações sexuais, ele só tocou nela e não passou disso.
— Ah diaba, essa garota quase me deixou maluco com essa história Valentina, ela disse que tinha transado com o seu tio.
Valentina: O que importa isso agora pai?
— Eu sei, não importa, eu só estou em choque ainda com isso, eu amo aquela garota minha filha e agora ela vai me dar um filho, ou uma filha.
Eu falei com os olhos marejados, sentindo a emoção tomar conta de mim, e eu fiquei absolutamente ridículo chorando feito um menino.
Valentina: É um menino, e ele se chamará Kaio, com k.
Foi impossível não sorrir, isso só fez eu ficar ainda mais emocionado, pois mesmo a Sofia estando com medo e tentando sumir no meio do mundo, ela ainda quis que o nome do nosso filho começasse com a mesma inicial do meu nome.
Valentina: Eu sabia que você iria se emocionar com isso pai, o medo da Sofia era que você rejeitasse essa criança.
— Eu jamais faria isso Valentina, eu quero esse filho, eu quero ela, eu quero os dois na minha vida.
Valentina: Bom, esse é outro assunto que precisamos conversar, agora senta aí no sofá.
Eu sentei, e pelo o olhar da Valentina eu não iria gostar dessa conversa.
Valentina: A Sofia não quer voltar pra São Paulo.
Na mesma hora eu me levantei do sofá novamente.
— Como assim não quer voltar? Ela não pode fazer isso.
Valentina: Não só pode como vai, ela disse com todas as letras que não tem nenhuma possibilidade de voltar.
— Mas porquê isso? Aqui ela vai ter toda a assistência, eu vou cuidar dos dois, eu vou acompanhar o desenvolvimento do nosso bebê, que absurdo é esse? Esse filho também é meu, eu também tenho direitos sobre ele.
Valentina: Ela não quer que os pais dela saibam que ela está grávida, ela disse que eles não merecem ter o amor do neto, e eu entendo ela pai, a Sofia vive um trauma que a machuca, ela sofre por não ter o amor dos pais dela, ela fala deles com dor e tristeza, ela tem motivos de sobra pra não querer voltar pra São Paulo.
— Mas o que os pais dela podem fazer com o nosso filho? Eu protejo eles, não é obrigado eles conviverem com a criança.
Valentina: Ela comprou uma casa e deixou a casa linda pai, o quarto do bebê foi feito com tanto capricho, ela transformou aquela casa em um lar pra ela, algo que ela nunca teve na casa dos pais, ela fala dessa casa com tanta emoção, é injusto trazê-la pra cá, será doloroso pra ela você obrigá-la a escolher entre você e o lugar que ela chama de lar.

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