KALEL
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A noite chegou e eu pensei muito no que eu iria fazer, eu poderia ficar em casa e contar com a sorte de não cair nas garras da Sofia, ou começar a viver a minha vida de forma mais intensa, saindo com pessoas e vendo as opções de possíveis namoradas.
Eu sou jovem ainda, tenho muita coisa pra viver, e durante anos convivi com o sentimento de estar traindo a minha esposa, e desrespeitando o lar que nós construímos com muito amor, mas estava na hora de eu buscar ser feliz com alguém, e assim deixar de correr riscos com uma garota que só tinha merda na cabeça como a Sofia.
Então decidi que o melhor era sair e curtir a vida, curtir as férias e aproveitar as chances que a vida estava me dando.
Eu tomei banho, e escolhi uma blusa esportiva de manga longa azul marinho, e uma calça jeans escura, calcei um tênis, coloquei uma pulseira grossa de prata no pulso, e passei o perfume mais forte que eu tinha.
Eu olhei no espelho e gostei do estilo, era o mesmo que eu usava quando conheci a mãe da Valentina, e fazia anos que eu não me vestia assim.
Eu passei pelo quarto da Valentina e bati na porta, e logo ela abriu.
Valentina: Minha nossa senhora, que gato é esse?
Ela olhou pro lado e pro outro em tom de brincadeira.
Valentina: O que você fez com o idoso do meu pai?
Eu gargalhei alto, eu estava me sentindo bem mais jovem mesmo.
— Engraçadinha, você não perde tempo na hora de tirar uma onda com a minha cara não é mesmo?
Valentina: Sério pai, você está muito gato, pra onde você vai vestido assim?
— Eu vou sair, vou me dar a chance de conhecer pessoas novas, e já que a sua amiga está vindo dormir com você, acho que você não vai se sentir sozinha não é mesmo? Você não se importa com o fato de eu estar saindo pra conhecer alguém não é minha filha?
A Valentina me olhou com tanto carinho, os olhos dela estavam brilhando, como se ela realmente esperasse algo assim vindo de mim.
Valentina: Hoo papai, você se manteve trancado nesse mundo obscuro por tanto tempo, incapaz de perceber que você tem todo o direito de refazer a sua vida, e vendo você assim me deixa extremamente feliz, vai em frente, faça o que você devia ter feito a bastante tempo, não se preocupe comigo, eu não vou sair daqui.
Ela me abraçou, me deu um beijo, e isso foi o bastante pra eu ser tomado por uma força fenomenal, o que ela falou era a minha garantia pra uma nova vida, e de fato eu iria me permitir viver.
Assim que eu estava descendo as escadas, a Sofia estava subindo, mas não era a mesma Sofia, era uma projeção do próprio demônio.
Ela estava usando um vestidinho curto e totalmente colado no corpo, o vestido fazia um X na frente e amarrava no pescoço, o cabelo estava ondulado, os lábios dela estava com um batom cor de carmim, eu desci o olhar pras pernas dela, bem torneadas e chamativas e o perfume dela me prendeu de uma forma que eu me recusei a sair de perto, apenas pelo prazer de sentir o cheiro dela por mais alguns segundos.
Ela estava com os lábios entre abertos, e a respiração dela estava ofegante, e bastava apenas mais um degrau pra eu poder pegá-la em meus braços e beijá-la.
Valentina: Amiga, que bom que você chegou, o meu pai vai sair e a casa vai ficar todinha pra gente.
A voz da minha filha me trouxe de volta pra realidade, e eu tive a certeza que existia um anjo cuidando especificamente do meu juízo pois faltava muito pouco pra eu perdê-lo de vez.
Sofia: Você está muito bonito Tio Kalel, pra onde você vai?

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