Isadora abaixou a cabeça e comeu aquele pedaço de cordeiro em mordidas pequenas.
Quatro olhares, como espinhos nas costas.
Ela sentiu a atmosfera bizarra na mesa de forma clara, mas no fundo estava super tranquila.
E até sentiu vontade de rir.
Aquele jantar era muito mais interessante do que ela imaginava.
— Sr. Otávio, eu tenho uma competição daqui a um tempo, o senhor vai? — Diana o tempo todo procurava assunto para conversar com Otávio.
Otávio pegou o guardanapo para limpar o canto da boca: — Depende do tempo.
A resposta foi muito protocolar.
Uma decepção passou pelos olhos de Diana, mas ela escondeu rápido: — Tá bom, então vou esperar por notícias do senhor.
O jantar chegou ao fim.
Helena largou os talheres e olhou para Isadora: — Amanhã quando for para o Verdes Mares, preste atenção na etiqueta, não envergonhe a Família Drummond.
Isadora concordou e foi obediente: — Eu sei, senhora.
— Me chame de mãe. — Helena franziu a testa.
Isadora abaixou os olhos e não respondeu.
Helena queria dizer algo, mas Otávio falou: — É só um título, deixa ela.
Ele falou aquilo com muita leveza.
Helena ficou com raiva, agora há pouco Otávio jogou na sua cara que ela deixava Isadora chamá-la de senhora, e agora...
Ele a mimava assim!?
Diana viu tudo, os dedos embaixo da mesa se fecharam em um soco bem apertado.
Ela não entendia por que ele protegia a suburbana que tinha acabado de voltar.
Só porque o sangue da Família Drummond corria nas veias dela?
A sobremesa chegou, e Diana se aprumou.
Ela olhou de propósito para Isadora e falou com doçura: — Isadora, você gosta de doce? Se não gostar, a gente pede pra cozinha fazer outra coisa.
— Não precisa, esse está ótimo — Isadora falou baixinho.
— Que bom.
Diana ria, mas o olhar caiu em cima de Otávio, de leve: — O senhor lembra, Sr. Otávio? Quando eu era criança eu não gostava de doces, e o senhor me convencia e dizia que os doces me deixariam mais bonita.
Otávio concordou: — Lembro.
A palavra curta não mostrava nenhuma emoção.
Diana pareceu ganhar incentivo e continuou: — Naquela época o Lorenzo sempre queria comer os meus, aí o senhor dizia que os meninos não deveriam comer muito doce pra poder crescer.
Lorenzo escutou a conversa e puxou a boca para o lado.
— Agora o Lorenzo tá alto e bonito, cheio de meninas gostando dele no colégio.
Lorenzo olhou pra ela, sem responder nada.
Mas Otávio abriu a boca de repente, encarando Isadora: — E você? Em Porto Sul, alguém dava em cima de você?
A pergunta veio do nada.

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