No segundo andar, os criados foram dispensados.
Isadora encontrou o quarto de Otávio e bateu duas vezes na porta.
Uma voz grave soou do lado de dentro.
— Entre.
Isadora abriu a porta e entrou.
Otávio estava de costas, perto da janela. Não vestia o paletó, e a camisa branca desenhava as linhas firmes dos ombros e do pescoço.
Apenas um abajur de pé estava aceso no quarto.
Isadora parou perto da porta e fechou com suavidade.
Ele então se virou.
A luz da lua entrava pela janela, aquele rosto bonito não exibia nenhuma expressão, os olhos pareciam poços escuros e sem fundo.
— Venha. — O olhar dele a prendeu, numa sensação de opressão.
Isadora apertou os lábios, caminhou até ele, e sem querer notou a gola da camisa branca dele.
Tinha uma mancha vermelha ali, que parecia a marca de um batom.
Otávio abaixou a cabeça para ver e seguiu o olhar dela. A expressão não se mexeu. Andou até onde ficavam as bebidas e serviu um copo de uísque. — Fui encontrar Luciana Valente hoje, deve ter encostado sem querer.
Isadora puxou o olhar e encarou: — O senhor e a Profa. Valente não são apenas ex-colegas, não é?
Otávio mexia a bebida. Ele colocou os olhos nela por cima da borda do copo.
Encarou por uns segundos, e falou com calma: — Já namoramos.
Poucas palavras, sem importância, como se dissesse que o tempo estava agradável.
Isadora não demonstrou nada: — Então foi o senhor quem recomendou a professora pra Diana?
— Fui. — Respondeu logo, botou o copo pra baixo e foi parar na frente dela. — A Diana precisava da professora que fosse o melhor custo-benefício.
A altura dele sufocava bastante. Quando ficou na frente dela, a sombra tapou a menina toda.
Isadora segurou a voz por um tempo, e perguntou em um tom baixo: — O tiro que eu dei nela arranjou confusão pro senhor?
Otávio deu um sorriso de canto, uma risada fria.
Passou a mão e a ponta do dedo empurrou o queixo dela de leve, fazendo ela virar a cara pra cima pra ele.
— Deu um pouco sim.
O polegar alisou embaixo da boca dela. A pele estava gelada, mas o toque fervia.
O corpo de Isadora se contraiu de leve: — Então...
— Porém. — Mudou logo de assunto e repuxou a boca quase dando risada. — Poder é ou não é pra tirar vantagem dos outros?
(已删改)
— E, também, não é que você seja uma completa inútil.
Isadora cruzou o olhar, como se fizesse uma pergunta.
— A filha dos Fontes, Yasmin Fontes. — Otávio não abalou em nada a voz, como se não fosse nada com ele. — Ela vivia no meu pé esses anos todos. Insuportável. Agora, tudo bem. Ela passa de longe quando me vê.
A fala carregava uma crueldade indiferente.
Por trás da aparência educada, havia a insensibilidade e a indiferença de alguém no poder.
Otávio foi até o sofá e se sentou.
— Vem cá — Ele disse de novo, a voz bem mais grossa e baixa dessa vez.
Isadora balançou mas chegou perto.
Assim que ela deu um passo a mais, Otávio jogou a mão na cintura, não fez nem cerimônia e trouxe o corpo inteiro dela pra perto de uma vez.
(已删改,没有重要剧情)

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