Lorenzo franziu as sobrancelhas, sem entender o que Isadora queria com aquilo.
— É melhor se preocupar consigo mesma, amanhã você vai para o Verdes Mares e ainda não sabemos se vai conseguir se adaptar.
Isadora deu um sorriso e o olhar era puro.
— Eu não tenho medo, afinal o meu irmão também estuda lá, você vai cuidar de mim, não vai?
Lorenzo puxou os lábios e não respondeu.
Diana, porém, pegou a deixa: — Mas é claro, eu e o Lorenzo vamos cuidar muito bem da irmã no lugar do Sr. Otávio.
Quando terminou de falar, ela lançou um olhar de propósito para Otávio.
Pena que ele não lhe deu nenhum olhar.
Os criados terminaram de servir a comida.
Isadora pegou o garfo e a faca, num movimento tão perfeito que era impossível encontrar qualquer erro.
— A Isadora até que aprende rápido a etiqueta à mesa.
Não dava para saber se o tom de Helena era de elogio ou ironia.
Isadora abaixou o garfo e a faca e abaixou a cabeça de leve: — A professora ensina bem.
— É bom saber que leva a sério — Helena cortou um pedaço de foie gras, com movimentos elegantes. — Uma filha da Família Drummond não pode passar vergonha na frente de estranhos.
O assunto continuava em torno de Isadora.
Diana baixou os olhos, mordeu os lábios e de repente perguntou para Lorenzo com um sorriso: — Lorenzo, como está a preparação para aquela competição de design que você falou semana passada?
A mudança de assunto dela foi natural.
A voz estava doce e o olhar trazia a dose certa de preocupação e admiração.
A expressão de Lorenzo ficou um pouco mais suave: — Ainda estou modificando o rascunho, não pensei em alguns detalhes.
— Precisa de ajuda? — Os olhos de Diana brilhavam. — Embora eu não entenda de design, posso ser a sua primeira espectadora.
— Não precisa — Lorenzo balançou a cabeça, o tom sério. — O seu pulso ainda não sarou, descanse mais.
— Eu estou bem — Diana deu um sorriso doce e virou-se para Otávio. — Sr. Otávio, os designs do Lorenzo são incríveis mesmo!
Otávio abaixou o garfo e a faca e pegou o guardanapo para limpar o canto da boca de forma metódica.
— O Lorenzo tem talento sim.
Fez uma pausa e desviou o olhar para Lorenzo, com voz calma: — Mas design não é só talento, tem a ver com visão e com perspectiva.
A fala foi sutil, mas Lorenzo entendeu a alfinetada por trás dela.
Ele estava o lembrando de que o status de filho bastardo seria para sempre um limite na sua visão e na sua perspectiva.

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