Na sala de estar, o cheiro de um chá de boa qualidade ficava espalhado pelo ar.
A Sra. Mendonça estava sentada no lugar principal. Vestia um vestido longo verde-escuro bordado. No rosto dela, que era bem cuidado, quase não tinha rugas. Só algumas linhas perto dos olhos que mostravam os anos passando.
Os olhos dela eram vivos. Tinha um jeito de olhar para as pessoas que impunha respeito sem precisar ficar brava.
Diana veio descendo a escada.
A Sra. Mendonça largou a xícara de porcelana e bateu os olhos no pulso enfaixado de Diana. A testa dela franziu quase sem dar para notar.
— Diana? Machucou muito a mão? Só fiquei sabendo hoje de manhã que você sofreu um acidente, fiquei morrendo de preocupação.
A voz da mulher não era alta, mas tinha toda a calma de alguém que manda.
Diana andou até a Sra. Mendonça e deu uma curvadinha de leve. Botou um sorriso bem fofo e educado no rosto:
— Não se preocupe, tia Mendonça. Foi só uma torçãozinha, o médico disse que em poucos dias já estou boa.
Ela sentou na cadeira do lado da Sra. Mendonça, com muito jeito.
— Fico até com vergonha de a senhora vir até aqui pessoalmente por minha causa.
— Deixa de bobagem, menina. Que conversa é essa?
A Sra. Mendonça pegou na mão boa de Diana e deu uns tapinhas de leve.
— Eu sempre te vi quase como uma filha. Você se machuca e acha que eu não viria te ver?
Ela apertava a mão de Diana, com um toque bem carinhoso.
— Foi uma pena você não ter conseguido participar desse concurso de artes. — A Sra. Mendonça suspirou, mostrando que estava mesmo chateada. — Eu já tinha escutado que você leva muito jeito para desenhar, até teve quadro exposto no museu da cidade, não é verdade?
A cara de Diana ficou meio vermelha e ela baixou o olhar:
— Tia Mendonça é muito boazinha, eram só uns rabiscos de quem ainda está aprendendo.
— Você é humilde demais, isso sim.

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