Essas conversas da Sra. Mendonça eram só papo furado para fazer sala.
Para uma família como os Mendonça, não importava o talento que ele tivesse, era só um filho bastardo que não servia para ficar no holofote.
A Sra. Mendonça fez mais uns elogios para encher linguiça e mudou de assunto sem deixar transparecer:
— Ah, por falar nisso, o que o Otávio tem feito ultimamente? Tem umas amigas minhas com umas filhas que não param de perguntar dele. Já estou até com vontade de arranjar um casamento para ele.
A coisa na sala ficou estranha por um segundo.
Os dedos de Helena apertaram um pouco a xícara de chá. Passou uma cara meio sem jeito nela:
— O Otávio... O negócio tá puxado na empresa ultimamente, ele não para em casa. Sobre casamento, eu que sou só cunhada não posso me meter. Tem que ver o que ele quer.
— É verdade.
A Sra. Mendonça mexeu a cabeça, com uma cara de quem estava pensando.
— Esse Otávio sempre soube o que queria desde pequeno. Mas ele já não é mais criança, tá na hora de pensar em casar.
Diana estava de cabeça baixa. Seus dedos apertavam a roupa sem perceber, as unhas cravadas na palma da mão, deixando marcas fracas de meia-lua.
Lorenzo reparou no que ela estava fazendo.
Ele olhou para a cara dura dela por alguns segundos, e seus olhos escureceram.
A Sra. Mendonça pegou a xícara e deu um golinho de leve.
— Falando nisso, a Diana é muito boa em tudo no colégio. As minhas amigas só abrem a boca para falar bem da filha dos Drummond, dizem que não tem igual.
O sorriso na cara de Helena ficou um pouco mais verdadeiro:
— A senhora está exagerando, Sra. Mendonça. Mas a Diana nunca me deu trabalho, não precisei me estressar com ela desde que ela nasceu.
— Uma menina boa dessas, a gente nem sabe quem vai ter essa sorte de casar com ela no futuro. — A Sra. Mendonça riu, jogando um verde.

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