A chuva veio do nada.
Isadora estava na rua e não tinha onde se esconder. Os pingos molharam a saia e o cabelo num piscar de olhos.
Felizmente, não demorou para um sedã preto parar na frente dela.
O vidro abaixou, e o motorista tinha um rosto estranho.
Por volta de trinta anos, de terno preto. Tinha uma cara respeitosa, mas distante. — Senhorita, o Sr. Otávio mandou que eu a buscasse.
Não era Otávio.
Isadora viu o banco traseiro vazio através do vidro e um pingo de decepção passou pelos olhos.
Abriu a porta e entrou.
A saia ensopada grudou na pele e esfriou tudo.
— E o Sr. Otávio? — perguntou, a voz banhada na chuva da noite.
— O Sr. Otávio está ocupado — O motorista respondeu rápido, entregando uma toalha limpa.
-
Clube L'Éclat.
Isadora andou pelo corredor atrás do garçom.
— O Sr. Otávio não está agora. Pode descansar aqui. — O garçom parou na porta da suíte, passou o cartão e abriu.
O quarto era grande e simples.
Tons de cinza escuro, linhas afiadas. Quase não havia decoração solta.
O cheiro do tabaco pairava no ar.
Isadora fechou a porta.
A roupa molhada estava grudada nela. Isadora franziu o cenho e entrou no banheiro. Com a água quente caindo, o corpo esquentou aos poucos.
Depois do banho, ela abriu o guarda-roupa.
Apenas camisas brancas, ternos e sobretudos arrumados de acordo com as cores. As roupas dela estavam molhadas, então ela tinha de usar as do Otávio.
Pegou uma das camisas brancas e a vestiu.
A camisa era gigante. A barra parava na metade da coxa e as mangas precisavam ser dobradas várias vezes para mostrar os pulsos.
Isadora se trocou, secou o cabelo e saiu do banheiro descalça.
A cama do quarto principal tinha um lençol de seda cinza, e a textura era gelada.

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