— Motivo? — Isadora sorriu. — Que motivo eu teria? O que eu ganho matando minha mãe e minha irmã?
Lorenzo soprou a fumaça na cara dela, cheio de crueldade. — Helena bateu na sua cara, e você não engoliu isso. Mas a ideia foi minha. Você devia ter vindo atrás de mim.
Pega de surpresa, Isadora engasgou com o cigarro e tossiu de leve.
Lorenzo olhou fundo nos olhos dela, num tom que não dava para saber se era bom ou mau. — Isadora, não tem mais ninguém aqui. Fala a verdade.
Oh, mais ninguém?
Você acha que nós somos íntimos.
O sorriso de Isadora sumiu. — O irmão acha que sou tão complexa.
Lorenzo segurou o pulso dela e os dedos passaram pelas manchas. — Isso aqui, você ganhou pegando o pólen, não foi?
O dedo estava quente e o aperto não foi forte.
E Isadora não tentou se soltar.
Ela respirou fundo e inclinou o corpo para frente, seguindo o puxão dele.
— Irmão, você se importa tanto comigo, que eu vou acabar entendendo mal.
Eles ficaram muito próximos. Tão próximos que viam o tremor nos cílios do outro.
Lorenzo podia sentir o cheiro doce de bala na respiração dela e via o próprio reflexo naqueles olhos.
— Não muda de assunto. — A voz dele falhou.
— Eu não estou mudando de assunto — A outra mão de Isadora pousou no braço dele e os dedos escorregaram pela pele. — Eu só estou pensando. Você me trouxe aqui tão tarde. Queria me interrogar, ou queria...
Lorenzo franziu a testa de leve.
Isadora soltou o cinto e se aproximou. A distância entre os dois ficou menor do nada.
— Que verdade você quer? — A voz era fraca, com uma dubiedade suave. — Quer que eu assuma que machuquei os outros de propósito, ou quer que eu assuma que... estou tentando chamar a sua atenção?
O vento entrou pela janela. O decote de Isadora abriu um pouco, mostrando as curvas redondas.
Lorenzo viu.
— Sai daqui. — Ele ralhou com frieza.

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