Os dois se encararam no escuro, as respirações cruzadas.
Lorenzo podia sentir o cheiro fraco de sabonete nela, e via a curva da saboneteira subir e descer com a respiração.
— Você não parece nem um pouco com alguém que não sabe de nada.
— Então o que você acha que eu pareço? — Os dedos de Isadora enrolaram a barra do vestido sem querer.
Os olhos de Lorenzo seguiraram o movimento da mão, e voltaram para o rosto.
Ele a encarou por um longo tempo, até que deu um passo atrás e se distanciou.
— Fique longe da Diana. — foi o que ele disse no fim.
Isadora arrumou a saia, com o mesmo sorriso. — Fique tranquilo, irmão. Não tenho vontade de competir com você, nem de entrar num jogo.
A frase não teve pé nem cabeça.
Mas Lorenzo entendeu. Deu uma olhada nela, abriu a porta e foi embora.
-
Quando ele voltou para o quarto, Diana estava esperando.
— Irmão, para onde você foi? — ela perguntou baixinho, com um olhar cheio de dependência.
Lorenzo sentou-se na beirada da cama. — Fui perguntar do motorista. O médico disse que ele teve uma alergia forte a pólen e que essa pode ser a causa do acidente.
— Alergia a pólen? — Diana franziu a testa. — Por que o motorista teria alergia do nada?
— Ele mexeu em lírios ontem... — disse Lorenzo devagar.
O quarto ficou em silêncio por alguns segundos.
Diana abaixou os olhos, e os cílios tremeram. — Então... o acidente foi uma casualidade? A alergia do motorista não tem a ver com ninguém?
Lorenzo olhou para ela. — Talvez.
Diana levantou a cabeça e os olhos avermelharam de novo. — Mamãe se machucou desse jeito, minha competição foi arruinada. Alguém precisa assumir a culpa. O motorista só tocou nos lírios por causa da irmã Isadora...
Ela não terminou a frase, mas a intenção era óbvia.
Lorenzo ficou quieto por um tempo longo. — O motorista comprou os lírios por conta própria. A culpa também é dele por mexer na planta sabendo da alergia.
Diana paralisou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: 500 Reais pelo Fim: A Entrega Amarga da Ex-Favorita