Isadora piscou e a voz pareceu inocente: — Eu não estou atuando! Fico feliz sempre que vejo o irmão!
— Feliz?
Lorenzo riu: — Não deveria ser raiva?
— Eu não sinto raiva. Eu admiro os seus esforços — Isadora olhou rapidamente para o quarto ao lado e a voz diminuiu: — Também tenho inveja da minha irmã.
— Esforços?
Lorenzo repetiu a palavra como se tivesse achado engraçado.
Deu outro passo à frente.
A distância entre eles sumiu.
Isadora conseguia sentir a presença dele.
O sorriso continuou o mesmo e ela respondeu: — Claro.
Esforços.
Se ela fosse a filha da família e tivesse sofrido no shopping, perdido o seu título, e fosse ignorada na sua própria casa, já estaria irritada e causando confusão.
O que seria exatamente o que algumas pessoas queriam.
— Com todo esse esforço — o tom tinha um nível perigoso —, você ainda está aqui em pé?
Isadora não se afastou.
Ela levantou o rosto e o encarou.
Lágrimas falsas preencheram os seus olhos e, com a voz tremendo, ela devolveu a pergunta:
— O irmão quer que eu morra?
Lorenzo a observou e os olhos percorreram o seu rosto.
O ar do espaço fechado ficou pesado.
Em seguida, ele falou, a voz mais baixa e instigante:
— Você fuma?
Isadora piscou os olhos.
— Não — ela sorriu com inocência: — Mas se for por você, eu aprendo.
O olhar de Lorenzo escureceu.
Um som de passos soou do lado de fora.

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