— Irmãzinha — Lorenzo se inclinou, o rosto bonito se aproximando, a voz descendo muito baixa: — Fala aí, como é que você, uma estudante que passou a vida toda numa cidade pequena, sabe dessas coisas da família Drummond?
— Irmão, você não me solta um pouco? Desse jeito... eu fico com medo.
Isadora se mostrou fraca, os olhos úmidos.
Lorenzo olhou para ela, sem soltar; pelo contrário, empurrou-a um pouco mais para fora.
A maior parte do corpo de Isadora estava suspensa.
Tudo se mantinha pela força dele apertando o pescoço e dela mesma segurando o pulso dele.
Prestes a cair.
Ela conseguia até ouvir o som fraco dos carros lá embaixo.
O cheiro da morte estava muito perto.
Isadora desviou o olhar para baixo, focou no rosto de Lorenzo novamente, a voz rouca por causa do pescoço apertado: — Eu tenho... um amigo na Cidade do Mar.
— Um amigo? — Lorenzo apertou os olhos, sem acreditar nessa conversa.
— Conheci no concurso de dança. — Isadora explicou como se estivesse ofendida: — Eu não conheço a família Drummond; só escutei hoje que eu poderia ser de lá, fiquei sem chão e... e perguntei pra ele.
Ela passava a imagem de alguém indefesa buscando segurança.
Lorenzo ficou em silêncio por um tempo: — Continua —
O tom dele não mudou, mas a força na mão aliviou um pouquinho.
— Ele me falou que a família Drummond tinha dois filhos e uma filha. O mais velho era o Arthur, filho do Sr. e da Sra. Drummond. O segundo era o Lorenzo, ele era... o filho bastardo do Sr. Drummond. — Nessa parte, as palavras pareciam difíceis de sair.
— A única filha é a Diana, irmã do mesmo pai e da mesma mãe que o Arthur.
Ao escutar "filho bastardo".
O olhar do Lorenzo esfriou na hora.
Mas logo ele recuperou aquele ar de pouco caso.
Ele reduziu a força lentamente, puxando Isadora de volta para o parapeito de cá.
Mas continuou apertando o pescoço dela.
Ele a prendeu na frente dele.
— Já que você sabe que o Arthur é seu irmão de sangue... — ele se aproximou, a respiração batendo na orelha dela — por que sugeriu que quer me ajudar a tomar o lugar dele na empresa?
Isadora enfrentou o olhar investigativo dele.
Fez uma pausa e foi direta: — Porque quem veio a Porto Sul me buscar foi você.
Lorenzo riu baixo, como se tivesse escutado algo engraçado, o peito tremendo.
— Só por isso?

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